Comparo o Brasil como um galho que cai em um redemoinho e ali fica rodando infinitamente sem tomar o curso do rio. Nosso país desde sua invasão portuguesa é devassado pela extração, extinção, exploração da natureza e do ser local.
Os invasores primordiais tinham a propriedade da terra em forma alodial e plena(livres de fóruns, vínculos, pensões e ônus). D.João III, em 1534, dividiu o Brasil tordesilhiano em 15 enormes faixas de terras, as capitanias hereditárias, com carta de doação, carta foral, com o donatário na figura de um semi-deus, para exercer a "guerra justa" contra os índios, escravizando-os e matando-os. Anteriormente, os indígenas iam a mando português destruindo a mata de pau brasil (madeira de aprox.10 a 15m de altura por 1m de diâmetro), devastando toda a costa atlântica, em troca do comércio de escambo, em carater predatório. Hoje, é comum multinacionais ganharem imensas faixas de terras, para estabelecerem indústrias, com isenção de impostos e também expulsão do homem, do pássaro, do sapo, da biosfera, etc.
Iniciaram com as capitanias o ciclo da cana de açúcar que avançava quilômetros de mata adentro e mortandade indígena. O primeiro século da invasão devastou 10 mil quilômetros quadrados da mata atlântica e derrubou aproximadamente 6 milhões de árovres. Depois vieram cinco séculos de fogo sobre a terra, a popular queimada. Se há cinzas sobre as quais deveríamos derramar nossas lágrimas, seria sobre as cinzas da mata atlântica que se misturaram com as cinzas das civilizações indígenas e dos escravos africanos mortos. O monopólio comercial da metrópole portuguesa de mãos dadas com a Companhia de Jesus, conseguiu assentar o início do sistema capitalista brasileiro. No começo, a Igreja instalou também o Tribunal da Santa Inquisição na Bahia, Pernambuco, Pará e sul da colônia, matando milhares de cristãos novos (judeus convertidos ao cristianismo, como meio de conservar-se vivo). A produção açucareira trouxe o escravo africano para derramar suor e sangue sobre o solo. Monocultura e escravidão, este era a lógica do sistema. É interessante registrar que a população indígena já praticava uma agricultura familiar (mandioca, milho, tubérculos, frutas, etc). O escravo tinha o domingo para cuidar de sua própria agricultura familiar. Alguns senhores de engenho davam um dia a mais. A população colonial vivia em baixíssimo nivel de nutrição. Os senhores de engenho tinham o poder de compra de todas as suas necessidades vitais. Predominava o latifúnido, propriedade monocultora, escravocrata, exportadora ou melhor plantation. Depois chegou a era das entradas e bandeiras, massacrando os índios interioranos, recapturando escravos fugitivos(quilombolas) (sertanismo de contrato), devastando a natureza em busca de pedras e metais preciosos (bandeirismo prospector). Destruindo imensas terras interioranas e iniciando a implantação das grandes fazendas de gados.
O ciclo do ouro, embora tenha construido cidades e estradas e contribuido para a expansão de nosso território (indo além do Tratado de Tordesilhas), ergueu núcleos habitacionais à beira dos rios, despejando todos os dejetos sobre eles, além de destruir suas margens e cabeceiras. Todas as cidades brasileiras foram erguidas da mesma forma.
Todos os ciclos econômicos brasileiros, seja da extração do pau brasil, das madeiras de lei, do açúcar, do ouro, da mandioca, do cacau, da borracha, do café, do eucalípto, da instalação das indústrias, continuou com a mesma ética e ótica capitalista mercantilista e exploratória colonial: destruição total da natureza, expulsão do homem de sua agricultura familiar, instalação das grandes propriedades, latifúndios, monocultura, escravidão e exportação. Agora chegou a era do pré-sal. Espero que não seja a época da destruição de nossas mares, dos peixes, dos manguezais, das praias, e do envio de royalters para as mãos dos capitalistas estrangeiros (a metrópole moderna que apenas mudou de eixo).
O capitalismo selvagem brasileiro conseguiu inverter a história do homem sobre o planeta e driblar a harmonia natural do meio ambiente. No início, nas eras paleolíticas e neolíticas, os homens viviam em bandos e eram coletores e caçadores, sendo seu único inimigo a fera que rondava em sua volta. Hoje, no Brasil, ele está no paleolítico/neolítico, continua um coletor/caçador pré-programado para as colheitas das grandes plantations, chegando em cima de caminhões, esqueléticos, desnutridos, destroçados, terceirizados, para um dia fatal neolítico/paleolítico. Depois voltam para o inchaço das periferias das cidades, para se naufragarem no alcoolismo e desilusão. Atenderam à produção agrotoxicada, inseticidada, transgenizada e desumanizada. A fera, o capitalismo selvagem, este terrivel Leviatã, esta besta apocalíptica que devora tudo por fora e por dentro, inclusive o ecossistema, a própria biosfera, controla mecanicamente e midiamente, enquanto a população fica deitada eternamente num berço de ouro, de ouro não, de ingenuidade e alienação. Ah! Perdoem-me, é de ouro sim. O ouro fica com eles.
Um herói da resistência brasileira, poeta, escritor, amante da música e da arte. Um homem em busca da harmonia e da paz. Um ser humano muito simples, que valoriza o significado profundo da vida. Para mim, a humanidade ganha sentido na fraternidade. O amor é a própria divindade.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
SENDO
Se ser fosse ter, não haveria nenhuma passagem neste planeta. Nem da semente pro fruto, nem do fruto pro arvoredo e nem deste para a consequência de outra semente. Não haveria outro dia, para que houvesse outro dia. Outro céu com outras nuvens para que houvesse mais brilho no olhar. Não haveria movimento. Somente há o ser. Quem está no ser, não se prende no ter. O ser é. Foi assim que o Eterno falou para Moisés: EU SOU.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
ONDE ESTÁ O REAL SENTIDO SOCIAL?
Vivemos numa época de abundância. Há de tudo. A eletrônica, a informática, a tecnologia em geral, então criou quase tudo para abastecer a curiosidade humana.
Há vários modelos de carros, barcos, sapatos, vestidos, roupas em geral, jóias, alimentos, lazer, mas por outro lado quem realmente pode usufruí-los?
Veja como esta pergunta nos deixa em suspense. Pior ainda, a mídia incita com todas as suas alteridades possíveis que o cidadão use e use. O bombardeiamento diário, a oferta abusiva, a rapidez com que se muda o modelo de carro, as marcas, os designs de tudo, deixa o indivíduo atônito. Não há mais indivíduo, o que ficou em seu lugar é o consumidor. Um ser humano mais veroz para adquirir meios de consumo do que um roedor quando está em fase de crescimento de seus dentes.
Como somente uma parte mínima da população, a parte que detém os poderes, tem condições de acesso a toda esta panafernália consumista, a outra parte fica psicologicamente disorientada. Entre vários fatores declaramos: baixa estima social, assalto, violência, etc. Importa aqui informar que a verdadeira violência social é a violência do sistema nacional sobre o cidadão civil e o que chamamos de violência, são desajustes psicosociais em grnde parte provocada pela violência do sistema.
Vivemos uma época de facilidades. Tudo se tornou instantâneo. Não só o macarrão, o feijão, o café, o pão da manhã, a polenta, a pizza, mas também a comunicação. Mas com isto perdemos o nosso lado lúdico. Distanciamos da qualidade real da natureza, dos grãos, das sementes, dos pólens, do trabalho manual, do fazer ligado ao prazer de ver feito. Do encontro amistoso. Encontramos a inércia e junto com ela o pânico.
Vivemos em uma época tecnológica. As máquinas fazem por nós. Por elas perdemos nossos empregos. Elas fazem os principais trabalhos e para nós sobra a terceirização dos mesmos. Não podemos mais ter a magnitude de ver nosso trabalho surgir de nossas mãos, de nosso ser, de nossa expontaneidade. Ao visitar uma das maiores empresas de plantação de mamão, fiquei horrorizado. Não há trabalhadores. O sistema de irrigação é importado de Israel e feito eletrônicamente, calculando quantas gotas cada pé deve receber por minuto. Os homens só aparecem para a colheita do mamão. Surgem como figuras de filme apocalíptico em cima de caminhões, como diaristas e comendo marmitas azedas. Depois voltam para as periferias, a maior parte para beber, provocar confusões, em outras palavras retribuir inconscientemente a violência que recebem do maldito capitalismo nacional, que os expulsou da terra, onde plantavam feijão, arroz, abóbora, mandioca, mamão, abacate, laranja, produtos estes que estão todos ensacolados em pó nos supermercados, porque nossa sociedade hoje é instantânea.
Como o robot e o cidadão desumanizado está fazendo tudo, fica mais fácil produzir de tudo, em países onde não existe uma autêntica organização de leis trabalhistas. Com isto a indústria nacional cai a zero, o governo se descontrola e tenta através do Banco Central controlar artificialmente e mecânicamente o país com o jogo das moedas. A tecnologia avançada também provoca desemprego, pois a maior parte dos trabalhos executados por engenheiros, arquitetos, projetistas, consultas de mercado, produtos de consumo em geral, etc. podem ser feitas em quaisquer países asiáticos que cobram por estes mesmos serviços um preço com 60% de diferença, porque entraram dos pés à cabeça na era industrial recentemente, mas com uma ética social medieval.
Desta forma a frustação social chega aos limites dos engenheiros, médicos, tecnólogos de ponta, etc.
Isto sem contar que para produzir mais, tem que adubar quimicamente mais, pulverizar mais, transgenizar mais, expulsar mais o homem do seu locus agrário e social.
Onde está o real sentido social?
Há vários modelos de carros, barcos, sapatos, vestidos, roupas em geral, jóias, alimentos, lazer, mas por outro lado quem realmente pode usufruí-los?
Veja como esta pergunta nos deixa em suspense. Pior ainda, a mídia incita com todas as suas alteridades possíveis que o cidadão use e use. O bombardeiamento diário, a oferta abusiva, a rapidez com que se muda o modelo de carro, as marcas, os designs de tudo, deixa o indivíduo atônito. Não há mais indivíduo, o que ficou em seu lugar é o consumidor. Um ser humano mais veroz para adquirir meios de consumo do que um roedor quando está em fase de crescimento de seus dentes.
Como somente uma parte mínima da população, a parte que detém os poderes, tem condições de acesso a toda esta panafernália consumista, a outra parte fica psicologicamente disorientada. Entre vários fatores declaramos: baixa estima social, assalto, violência, etc. Importa aqui informar que a verdadeira violência social é a violência do sistema nacional sobre o cidadão civil e o que chamamos de violência, são desajustes psicosociais em grnde parte provocada pela violência do sistema.
Vivemos uma época de facilidades. Tudo se tornou instantâneo. Não só o macarrão, o feijão, o café, o pão da manhã, a polenta, a pizza, mas também a comunicação. Mas com isto perdemos o nosso lado lúdico. Distanciamos da qualidade real da natureza, dos grãos, das sementes, dos pólens, do trabalho manual, do fazer ligado ao prazer de ver feito. Do encontro amistoso. Encontramos a inércia e junto com ela o pânico.
Vivemos em uma época tecnológica. As máquinas fazem por nós. Por elas perdemos nossos empregos. Elas fazem os principais trabalhos e para nós sobra a terceirização dos mesmos. Não podemos mais ter a magnitude de ver nosso trabalho surgir de nossas mãos, de nosso ser, de nossa expontaneidade. Ao visitar uma das maiores empresas de plantação de mamão, fiquei horrorizado. Não há trabalhadores. O sistema de irrigação é importado de Israel e feito eletrônicamente, calculando quantas gotas cada pé deve receber por minuto. Os homens só aparecem para a colheita do mamão. Surgem como figuras de filme apocalíptico em cima de caminhões, como diaristas e comendo marmitas azedas. Depois voltam para as periferias, a maior parte para beber, provocar confusões, em outras palavras retribuir inconscientemente a violência que recebem do maldito capitalismo nacional, que os expulsou da terra, onde plantavam feijão, arroz, abóbora, mandioca, mamão, abacate, laranja, produtos estes que estão todos ensacolados em pó nos supermercados, porque nossa sociedade hoje é instantânea.
Como o robot e o cidadão desumanizado está fazendo tudo, fica mais fácil produzir de tudo, em países onde não existe uma autêntica organização de leis trabalhistas. Com isto a indústria nacional cai a zero, o governo se descontrola e tenta através do Banco Central controlar artificialmente e mecânicamente o país com o jogo das moedas. A tecnologia avançada também provoca desemprego, pois a maior parte dos trabalhos executados por engenheiros, arquitetos, projetistas, consultas de mercado, produtos de consumo em geral, etc. podem ser feitas em quaisquer países asiáticos que cobram por estes mesmos serviços um preço com 60% de diferença, porque entraram dos pés à cabeça na era industrial recentemente, mas com uma ética social medieval.
Desta forma a frustação social chega aos limites dos engenheiros, médicos, tecnólogos de ponta, etc.
Isto sem contar que para produzir mais, tem que adubar quimicamente mais, pulverizar mais, transgenizar mais, expulsar mais o homem do seu locus agrário e social.
Onde está o real sentido social?
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
QUE MUNDO É ESTE?
Vivemos numa época denominada de global, porém uma observação mais criteriosa, crítica e cirúrgica, leva-nos a identificá-la como reducionista e simplicista. O psiquismo se reduz ao neurologismo. O corpo se submete em toda a sua magnitude à plasticidade. A cura terapêutica se perde na rapidez imediata, no sucesso do dia seguinte após uma introjeção pseudo-psicanalítica. A longa conversa, escavadora e arqueológica do inconsciente, substituiram-na por cursos de curto período ministrados por profissionais de formação relâmpaga, ou enganosa.
Desta forma, os problemas pessoais se refugiam em outros meandros intra-psíquicos, provocando danos imediatamente imperceptíveis, porém desastrosos ao longo da vida.
Vivemos a era do vazio, da varredura narcisística através da mídia, da inversão de valores e do virtual soterrando o real, expondo a aparência de uma mente plena, porém, sem sentidos.
Quando se anula ou se ausenta a função materna/paterna que é a construção ideal da consciência, cava-se um fosso, onde se enterra viva toda a possibilidade humana.
Construimos sim, numa sociedade sem sentido, um ser humano dentro de uma cultura não simbólica e frágil. Família sem elos, sem histórias para contar, sem os contos míticos familiares, sem paisagem de passado, permanência de presente e transcendência de futuro.
Era do consumo, do vazio, da magreza light, da violência social ignorada e da violência disseminada para um campo mundanizado.
O uso indiscriminado da televisão e da mídia em geral, abole o momento mágico de onde brota toda a fonte do pensar, do sentir, do intuir, do criar, do reproduzir.
Esta situação conduz ao erotismo, ao voyerismo, ao canibalismo cultural, ao mundanismo do sagrado, do mítico, do religioso, do humanismo; originando pessoas apáticas, frágeis, frígidas, sem significado e sem cosmovivência.
A instantaneidade não só na terapia, como na alimentação, no ir e vir, no lazer, nas compras, nas trocas sociais, implode o crescimento do ser, mina suas concepções de sociedade, de universo, de humanidade, tornando-o um robot pelas vicissitudes de uma época abstrata do real.
O contato com o outro e com a natureza é o verdadeiro amálgama da transformação humana e quando ele se distancia da práxis vivendus, um vírus destrutivo contamina o tecido humano e social, o que leva à marginalização de muitos, à angústia, ao pânico e à solidão.
Hoje, mais do que nunca, torna-se urgente a presença de filósofos terapêuticos que sejam porta vozes proféticas da salvaguarda noética deste mundo cataclístico que nos antepara e que engana a humanidade, levando-a por uma vereda, que termina numa encruzilhada surgida na ausência do sentido de ser e de viver.
Desta forma, os problemas pessoais se refugiam em outros meandros intra-psíquicos, provocando danos imediatamente imperceptíveis, porém desastrosos ao longo da vida.
Vivemos a era do vazio, da varredura narcisística através da mídia, da inversão de valores e do virtual soterrando o real, expondo a aparência de uma mente plena, porém, sem sentidos.
Quando se anula ou se ausenta a função materna/paterna que é a construção ideal da consciência, cava-se um fosso, onde se enterra viva toda a possibilidade humana.
Construimos sim, numa sociedade sem sentido, um ser humano dentro de uma cultura não simbólica e frágil. Família sem elos, sem histórias para contar, sem os contos míticos familiares, sem paisagem de passado, permanência de presente e transcendência de futuro.
Era do consumo, do vazio, da magreza light, da violência social ignorada e da violência disseminada para um campo mundanizado.
O uso indiscriminado da televisão e da mídia em geral, abole o momento mágico de onde brota toda a fonte do pensar, do sentir, do intuir, do criar, do reproduzir.
Esta situação conduz ao erotismo, ao voyerismo, ao canibalismo cultural, ao mundanismo do sagrado, do mítico, do religioso, do humanismo; originando pessoas apáticas, frágeis, frígidas, sem significado e sem cosmovivência.
A instantaneidade não só na terapia, como na alimentação, no ir e vir, no lazer, nas compras, nas trocas sociais, implode o crescimento do ser, mina suas concepções de sociedade, de universo, de humanidade, tornando-o um robot pelas vicissitudes de uma época abstrata do real.
O contato com o outro e com a natureza é o verdadeiro amálgama da transformação humana e quando ele se distancia da práxis vivendus, um vírus destrutivo contamina o tecido humano e social, o que leva à marginalização de muitos, à angústia, ao pânico e à solidão.
Hoje, mais do que nunca, torna-se urgente a presença de filósofos terapêuticos que sejam porta vozes proféticas da salvaguarda noética deste mundo cataclístico que nos antepara e que engana a humanidade, levando-a por uma vereda, que termina numa encruzilhada surgida na ausência do sentido de ser e de viver.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
VOCÊS SÃO 10 ! FELIZ 2011 - RETOMADA DE CONSCIÊNCIA
Eu prometo em 2011, ser 10:
10 em olhar com bons olhos ao meu próximo, porque ele é meu irmão;
10 em ouvir com bons ouvidos as mais belas canções, porque elas fazem bem à alma;
10 em falar palavras boas, porque a palavra tem poder;
10 em continuar usando meus braços para um aperto de mão, para abraçar ao que sofre e para nunca dar adeus;
10 em usar minhas pernas para continuar a caminhar no bom caminho;
10 por inalar o perfume das flores, porque é a essência maior da natureza;
10 por trabalhar para o bem supremo da humanidade, porque a ela pertenço;
10 por fazer o que gosto, porque escrever foi o dom que Deus me deu;
10 por saber que minha janela se abre ao mundo e que as outras janelas também se abrem para o mundo;
10 para todos vocês, porque vocês são 10!
10 em olhar com bons olhos ao meu próximo, porque ele é meu irmão;
10 em ouvir com bons ouvidos as mais belas canções, porque elas fazem bem à alma;
10 em falar palavras boas, porque a palavra tem poder;
10 em continuar usando meus braços para um aperto de mão, para abraçar ao que sofre e para nunca dar adeus;
10 em usar minhas pernas para continuar a caminhar no bom caminho;
10 por inalar o perfume das flores, porque é a essência maior da natureza;
10 por trabalhar para o bem supremo da humanidade, porque a ela pertenço;
10 por fazer o que gosto, porque escrever foi o dom que Deus me deu;
10 por saber que minha janela se abre ao mundo e que as outras janelas também se abrem para o mundo;
10 para todos vocês, porque vocês são 10!
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
VIVA A MÚSICA
Alguém me perguntou qual a razão que me faz gostar tanto de música. A minha resposta foi rápida: PORQUE TUDO É MÚSICA! EM MAIOR OU MENOR GRAU, TUDO É MÚSICA!
Bem que diziam nossos antigos irmãos de Essen: EM TUDO HÁ MÚSICA. O universo é um teclado cósmico. A variedade de coisas está conforme a sinfonia tocada. Até uma pedra é uma nota musical. As diferentes pedras são variedades desta nota. Cada reino da natureza é uma partitura. As diferenças são as intercombinações das notas musicais. Quando destruimos uma parte da natureza, destroçamos um grupo da orquestra. Porém, o maestro continua a reger sem parar.
Cuidado com quem não gosta de música. Com certeza ele está desconforme com a natureza. Quando você quiser conhecer as pessoas, coloque músicas para elas ouvirem e perceberá pela qualidade delas, como suas almas estão afinadas ou não.
Você conhece uma geração pela música que ela ouve. Por aí, pode-se prever o futuro de uma Nação.
TUDO É MÚSICA. QUANTO MAIS BELA, MAIS PERFEITA, MAIS SINFÔNICA FOR, MAIS VOCÊ ESTARÁ PERTO DO REGENTE UNIVERSAL.
Bem que diziam nossos antigos irmãos de Essen: EM TUDO HÁ MÚSICA. O universo é um teclado cósmico. A variedade de coisas está conforme a sinfonia tocada. Até uma pedra é uma nota musical. As diferentes pedras são variedades desta nota. Cada reino da natureza é uma partitura. As diferenças são as intercombinações das notas musicais. Quando destruimos uma parte da natureza, destroçamos um grupo da orquestra. Porém, o maestro continua a reger sem parar.
Cuidado com quem não gosta de música. Com certeza ele está desconforme com a natureza. Quando você quiser conhecer as pessoas, coloque músicas para elas ouvirem e perceberá pela qualidade delas, como suas almas estão afinadas ou não.
Você conhece uma geração pela música que ela ouve. Por aí, pode-se prever o futuro de uma Nação.
TUDO É MÚSICA. QUANTO MAIS BELA, MAIS PERFEITA, MAIS SINFÔNICA FOR, MAIS VOCÊ ESTARÁ PERTO DO REGENTE UNIVERSAL.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
terça-feira, 30 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
domingo, 14 de novembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
domingo, 24 de outubro de 2010
A PRIMAZIA DA RAZÃO SOBRE A RAZÃO PURA TEÓRICA - KANT X - ÚLTIMO ARTIGO
Com este último artigo, fechamos o trabalho sobre Kant e você tem em suas mãos um compêndio que lhe dá condições de entender o pensamento desta grande mente filosófica da humanidade. Lembro que é um resumo homeopático de uma obra vastíssima e de dezenas de anos do trabalho intelectual de Kant, mas que leva à compreensão de um pensador que não é fácil de ser compreendido pela simples leitura de seus livros.
Justapondo a lei moral de um lado e a vontade pura do outro lado, estamos diante da autonomia ou heteronomia da vontade. Os princípios da moralidade que se ajustam aos conteúdos empíricos da ação, embasados nas éticas, mandamentos, castigos, penas, recompensas, etc. são heterônimos. A lei puramente formal que não se origina em conteúdos empíricos, mas que tem seu privilégio no lugar da consciência é autônoma. Este é o lugar psicológico, o reino da moral, o porquê da conduta moral, a voz da consciência. Kant: "age de tal maneira que o motivo, o princípio que te leva a agir, possas tu querer que seja uma lei universal".
Das condições da ciência extraimos as condições do conhecimento e das condições da lei moral as nossas condições de agir. As condições do conhecimento dependem do espaço/tempo/categorias, etc. em prol dos fenômenos internos, mas as condições do agir não dependem exclusivamente disto. Aí está a grande genialidade kantiana. É o mundo das realidades supra sensíveis, inteligíveis, em outra dimensão da consciência, num lugar incognoscível, tendo nosso eu duas formas: um eu conhecendo a natureza e um eu supra sensivel, na dimensão da consciência moral.
Neste momento penso uma coisa: não é em vão que criaram a Bioética! Dá para entender cientistas fazendo adubos químicos, armas nucleares, cientistas submetidos à indústria farmacêutica que te repara um fígado ao mesmo tempo que te arruina os rins, etc.? Este é o postulado da liberdade quando o homem não se rende ao mundo sensivel e reina no mundo supra sensivel, que é o lugar psicológico da consciência moral.
Quando você escapa do mundo das formas, do sensivel, do tempo, do espaço, das categorias, das causas e efeitos, das idéias do princípio e fim, do corpóreo versus anímico, você entra no reino da imortalidade do mundo supra sensivel da consciência psicológica moral. Isto é o que Kant chama de santidade. Não deixa de ser uma crença inabalavel na imortalidade da alma.
Com a liberdade moral, com a imortalidade, extinguindo o abismo que há entre o ideal e a realidade compreendemos a Deus. O mundo fenomênico de causas e efeitos que se afunda na tragédia humana da maldade e da injustiça se equipara ao distanciamento de Deus. A supra sintese que pretende reunir em nós o ideal ao real é a idéia de Deus. A razão prática nos conduz às verdades da metafísica. A razão teórica está a serviço da razão prática, sendo um trâmite entre o mundo fenomênico e o lugar psicológico da moral, uma passagem do mundo fenomênico ao mundo essencial supra sensivel das almas, do universo e de Deus.
Justapondo a lei moral de um lado e a vontade pura do outro lado, estamos diante da autonomia ou heteronomia da vontade. Os princípios da moralidade que se ajustam aos conteúdos empíricos da ação, embasados nas éticas, mandamentos, castigos, penas, recompensas, etc. são heterônimos. A lei puramente formal que não se origina em conteúdos empíricos, mas que tem seu privilégio no lugar da consciência é autônoma. Este é o lugar psicológico, o reino da moral, o porquê da conduta moral, a voz da consciência. Kant: "age de tal maneira que o motivo, o princípio que te leva a agir, possas tu querer que seja uma lei universal".
Das condições da ciência extraimos as condições do conhecimento e das condições da lei moral as nossas condições de agir. As condições do conhecimento dependem do espaço/tempo/categorias, etc. em prol dos fenômenos internos, mas as condições do agir não dependem exclusivamente disto. Aí está a grande genialidade kantiana. É o mundo das realidades supra sensíveis, inteligíveis, em outra dimensão da consciência, num lugar incognoscível, tendo nosso eu duas formas: um eu conhecendo a natureza e um eu supra sensivel, na dimensão da consciência moral.
Neste momento penso uma coisa: não é em vão que criaram a Bioética! Dá para entender cientistas fazendo adubos químicos, armas nucleares, cientistas submetidos à indústria farmacêutica que te repara um fígado ao mesmo tempo que te arruina os rins, etc.? Este é o postulado da liberdade quando o homem não se rende ao mundo sensivel e reina no mundo supra sensivel, que é o lugar psicológico da consciência moral.
Quando você escapa do mundo das formas, do sensivel, do tempo, do espaço, das categorias, das causas e efeitos, das idéias do princípio e fim, do corpóreo versus anímico, você entra no reino da imortalidade do mundo supra sensivel da consciência psicológica moral. Isto é o que Kant chama de santidade. Não deixa de ser uma crença inabalavel na imortalidade da alma.
Com a liberdade moral, com a imortalidade, extinguindo o abismo que há entre o ideal e a realidade compreendemos a Deus. O mundo fenomênico de causas e efeitos que se afunda na tragédia humana da maldade e da injustiça se equipara ao distanciamento de Deus. A supra sintese que pretende reunir em nós o ideal ao real é a idéia de Deus. A razão prática nos conduz às verdades da metafísica. A razão teórica está a serviço da razão prática, sendo um trâmite entre o mundo fenomênico e o lugar psicológico da moral, uma passagem do mundo fenomênico ao mundo essencial supra sensivel das almas, do universo e de Deus.
KANT / IX - IMPERATIVOS HIPOTÉTICOS E IMPERATIVOS CATEGÓRICOS.
Se falei em boa vontade, então existe a má vontade? Em que consistem estas vontades? Todo ato voluntário se apresenta à razão em forma de imperativo. Isto tem que ser feito, não é certo fazer aquilo, cuidado com esta ação, todas estas reflexões surgem na consciência em forma de imperativos: hipotéticos ou absolutos. A lógica formal do imperativo hipotético o submete a uma condição:"se queres aprender esta matéria, estude muito." Ele não é absoluto, não é incondicional, porque já diz "se queres", assim como outros imperativos hipotéticos.
Mas examinemos agora os mandamentos morais: "honra teu pai e tua mãe", "ame tua terra natal", "não matarás", "não furtarás", etc. Eles são categóricos, pois a imperatividade não requer nenhuma condição. Eles nascem dentro da própria vontade humana. Pertencem ao campo da moralidade e não da legalidade. Nem tudo que está dentro da lei, ou da legalidade, também está dentro da moralidade. O que você faz de acordo com a lei é porque você se ajusta a ela. Vou aqui dar um exemplo muito prático. Em 1885 era legal(dentro da lei), aqui no Brasil você possuir escravos. Mas não era moral. A partir de 13 de maio de 1888, com a Lei da Alforria(Lei Áurea) era ilegal você ter escravos. E nunca será moral ter escravos. Imagine você, quantas leis temos por aí que são legais e não são morais. Quer saber de uma? A Lei do Salário Mínimo! Você sabe quanto ganha um vereador, um deputado, um senador que não protesta contra esta lei? Mas isto é outra história, não é? Então vamos continuar com Kant, conforme propomos.
Um ato que você faz porque quer ter recompensa ou evita um castigo, não está assentado na lei moral. É um imperativo hipotético, não é um imperativo categórico. O imperativo categórico ouve a voz da consciência. A sua vontade só é pura, moral e terá validez, se ouvir esta voz e refletí-la em suas ações.
Em fórmula lógica diremos: toda ação tem uma matéria (aquilo que você faz ou omite) e uma forma (o porquê se faz ou porquê se omite). Uma ação será pura e moral não só pela grandeza do conteúdo, mas pela voz da consciência em torno do dever.
A famosa fórmula kantiana do imperativo categórico ou da lei moral/ universal é esta: "age de maneira que possas querer que o motivo que te levou a agir, seja uma lei universal".
Vou dar um exemplo muito simples, embora existem milhares de outros: você tem um amigo nas últimas no hospital. Hoje é domingo e joga flamengo e vasco. Você é flamenguista doente. Seu amigo quer se despedir de você. Ele é doente terminal. Ou você faz sua vontade humana de assistir ao jogo, ou você vai pela lei moral/universal. Uma coisa é ser hipotético, outra coisa é ser categórico.
Categoricamente falando eu sei que você iria. E não iria contra a sua vontade, pois seria hipotético!
Mas examinemos agora os mandamentos morais: "honra teu pai e tua mãe", "ame tua terra natal", "não matarás", "não furtarás", etc. Eles são categóricos, pois a imperatividade não requer nenhuma condição. Eles nascem dentro da própria vontade humana. Pertencem ao campo da moralidade e não da legalidade. Nem tudo que está dentro da lei, ou da legalidade, também está dentro da moralidade. O que você faz de acordo com a lei é porque você se ajusta a ela. Vou aqui dar um exemplo muito prático. Em 1885 era legal(dentro da lei), aqui no Brasil você possuir escravos. Mas não era moral. A partir de 13 de maio de 1888, com a Lei da Alforria(Lei Áurea) era ilegal você ter escravos. E nunca será moral ter escravos. Imagine você, quantas leis temos por aí que são legais e não são morais. Quer saber de uma? A Lei do Salário Mínimo! Você sabe quanto ganha um vereador, um deputado, um senador que não protesta contra esta lei? Mas isto é outra história, não é? Então vamos continuar com Kant, conforme propomos.
Um ato que você faz porque quer ter recompensa ou evita um castigo, não está assentado na lei moral. É um imperativo hipotético, não é um imperativo categórico. O imperativo categórico ouve a voz da consciência. A sua vontade só é pura, moral e terá validez, se ouvir esta voz e refletí-la em suas ações.
Em fórmula lógica diremos: toda ação tem uma matéria (aquilo que você faz ou omite) e uma forma (o porquê se faz ou porquê se omite). Uma ação será pura e moral não só pela grandeza do conteúdo, mas pela voz da consciência em torno do dever.
A famosa fórmula kantiana do imperativo categórico ou da lei moral/ universal é esta: "age de maneira que possas querer que o motivo que te levou a agir, seja uma lei universal".
Vou dar um exemplo muito simples, embora existem milhares de outros: você tem um amigo nas últimas no hospital. Hoje é domingo e joga flamengo e vasco. Você é flamenguista doente. Seu amigo quer se despedir de você. Ele é doente terminal. Ou você faz sua vontade humana de assistir ao jogo, ou você vai pela lei moral/universal. Uma coisa é ser hipotético, outra coisa é ser categórico.
Categoricamente falando eu sei que você iria. E não iria contra a sua vontade, pois seria hipotético!
sábado, 23 de outubro de 2010
RAZÃO PRÁTICA OU CONSCIÊNCIA MORAL (nous practikós) DE KANT. kant VIII
Se Kant vê a metafísica impossivel como conhecimento científico, teorético, especulativo, não quer dizer que não haja outra via para chegar a estes conhecimentos metafísicos. Se estes caminhos não seriam os do conhecimento teorético-científico, quais seriam então? Se nós pensarmos que o imenso campo de atividades humanas não é apenas o campo do conhecimento, já daremos abertura para isto. Nós estudamos, corremos, brincamos, construimos, instituimos sistemas políticos, religiosos, etc. somos múltiplos em nossas ações. Nós temos uma consciência moral que tem alicerces tão fortes como os do conhecimento. Temos juizos morais tão válidos como os juizos lógicos do conhecimento. Para Kant nós temos a razão prática que é a consciência moral uma forma de se chegar ao conhecimento da metafísica, com a razão aplicada à ação, à prática, à moral. Assim temos os qualificativos morais: bom, mau, moral, imoral, meritório, pecaminoso, etc. Estes qualificativos que aplicamos às coisas não são inerentes em si das coisas. As coisas não são boas nem más. Só o homem pode ser bom ou mau, então estes qualificativos vem do homem mesmo e são formas através das quais analisa as coisas, são estruturas internas humanas. A vontade humana é quem faz a distinção do que é bom ou mau. Continuaremos em próximos artigos.
KANT COM SUA CRÍTICA PRETENDE DESMASCARAR A METAFÍSICA DE SUA ÉPOCA - KANT VII
Se as nossas vivências ocorrem dentro do tempo e não tem como extraí-lo para considerá-las e levá-las a um ponto máximo num salto além das séries das sintetizações, como poderemos ter uma idéia da alma? Não podemos sair do trilho do tempo, nem abdicar dele em nossas vivências e não temos como chegar a uma idéia concreta de alma. O tempo junto com o espaço é a primeira condição do conhecimento. Erra a psicologia em jogar a alma fora do tempo e do espaço para conhecê-la.
A outra questão kantiana sobre a metafísica é o problema do universo que vai cair em antinomias.
Primeira antinomia: tese: o universo tem um princípio no tempo e limites no espaço: antítese: o universo é infinito no tempo e no espaço. Segunda antinomia: tese: tudo quanto existe no universo está composto de elementos simples; antítese: aquilo que existe no universo não está composto de elementos simples, mas de elementos infinitamente divisíveis; terceira antinomia: o universo deve ter tido uma causa que não seja por sua vez causada; antítese: o universo não pode ter tido uma causa que não seja por sua vez causada; quarta antinomia: tese: nem no universo nem fora dele pode haver um ser necessário; antítese: no universo ou fora dele há de haver um ser necessário(ser necessário e causa dá no mesmo! as duas últimas antinomias se correlacionam!).Como se vê a razão acerca do universo em si afirma e nega. Onde está a falha, o erro da razão? É porque se está tomando o tempo e o espaço como coisas em si mesmo e não como modos de conhecer. Então procura-se discutir estas questões de início e fim. Tomando-os como coisas em si e não como formas de cognoscibilidade cometemos um grande erro, assim as duas primeiras antinomias são falsas. Nas duas últimas antinomias as teses são verdadeiras porque buscam o mundo fenomênico enquanto as antíteses buscam o noumenon(coisa em si) poderão ser verdadeiras se houver uma outra forma de conhecer em nossa consciência humana. As teses seriam válidas para as ciências físico-matemáticas e as antíteses para as ciências metafísicas, digo, se houver em nossa consciência uma via para o conhecimento que não seja a do conhecimento científico. Será que existe na razão esta possibilidade? Por Kant, creio que não!
À questão da existência de Deus, Kant agrupa tres argumentos: o antológico, o cosmológico e o físico-teológico. Kant busca Descartes e Santo Anselmo:"...eu tenho a idéia de um ser, de um ente perfeito; este ente perfeito tem de existir,porque se não existisse faltar-lhe-ia a perfeição da existência e não seria perfeito..." Kant rebate: para dizer que uma coisa existe preciso de correlacionar sujeito cognoscente com fenômeno cognoscido e como vou fazer isto se o objeto deus não se revela ou se apresenta às nossas sensibilidades? Na idéia cosmológica Kant critica o fato de deter-se em deus/causa-incausada depois de uma sucessiva série de efeitos e causas, detendo repentinamente a aplicação da categoria causa/efeito sem motivo algum. Quanto ao argumento físico-teológico, Kant critica o princípio da finalidade deste argumento, na questão de querer justificar o maravilhoso que há nas coisas, como por exemplo a possibilidade de vermos, ouvirmos, a maravilha da natureza, etc. como se tivesse uma inteligência criadora organizando estas estruturas. Para Kant, este raciocínio tenta ultrapassar os limites da experiência. Kant afirma que a metafísica quer conhecer o incognoscível. Quer ir além dos limites da experiência, o que não é possivel. Quer ir no âmago das coisas em si, cometendo erros gravíssimos com idéias a respeito da alma, do universo e de deus. Porém, Kant toma uma vereda lateral e busca na razão prática, na moral, uma saída especulativa para resolver este problema da metafísica. Veremos em próximo capítulo.
A outra questão kantiana sobre a metafísica é o problema do universo que vai cair em antinomias.
Primeira antinomia: tese: o universo tem um princípio no tempo e limites no espaço: antítese: o universo é infinito no tempo e no espaço. Segunda antinomia: tese: tudo quanto existe no universo está composto de elementos simples; antítese: aquilo que existe no universo não está composto de elementos simples, mas de elementos infinitamente divisíveis; terceira antinomia: o universo deve ter tido uma causa que não seja por sua vez causada; antítese: o universo não pode ter tido uma causa que não seja por sua vez causada; quarta antinomia: tese: nem no universo nem fora dele pode haver um ser necessário; antítese: no universo ou fora dele há de haver um ser necessário(ser necessário e causa dá no mesmo! as duas últimas antinomias se correlacionam!).Como se vê a razão acerca do universo em si afirma e nega. Onde está a falha, o erro da razão? É porque se está tomando o tempo e o espaço como coisas em si mesmo e não como modos de conhecer. Então procura-se discutir estas questões de início e fim. Tomando-os como coisas em si e não como formas de cognoscibilidade cometemos um grande erro, assim as duas primeiras antinomias são falsas. Nas duas últimas antinomias as teses são verdadeiras porque buscam o mundo fenomênico enquanto as antíteses buscam o noumenon(coisa em si) poderão ser verdadeiras se houver uma outra forma de conhecer em nossa consciência humana. As teses seriam válidas para as ciências físico-matemáticas e as antíteses para as ciências metafísicas, digo, se houver em nossa consciência uma via para o conhecimento que não seja a do conhecimento científico. Será que existe na razão esta possibilidade? Por Kant, creio que não!
À questão da existência de Deus, Kant agrupa tres argumentos: o antológico, o cosmológico e o físico-teológico. Kant busca Descartes e Santo Anselmo:"...eu tenho a idéia de um ser, de um ente perfeito; este ente perfeito tem de existir,porque se não existisse faltar-lhe-ia a perfeição da existência e não seria perfeito..." Kant rebate: para dizer que uma coisa existe preciso de correlacionar sujeito cognoscente com fenômeno cognoscido e como vou fazer isto se o objeto deus não se revela ou se apresenta às nossas sensibilidades? Na idéia cosmológica Kant critica o fato de deter-se em deus/causa-incausada depois de uma sucessiva série de efeitos e causas, detendo repentinamente a aplicação da categoria causa/efeito sem motivo algum. Quanto ao argumento físico-teológico, Kant critica o princípio da finalidade deste argumento, na questão de querer justificar o maravilhoso que há nas coisas, como por exemplo a possibilidade de vermos, ouvirmos, a maravilha da natureza, etc. como se tivesse uma inteligência criadora organizando estas estruturas. Para Kant, este raciocínio tenta ultrapassar os limites da experiência. Kant afirma que a metafísica quer conhecer o incognoscível. Quer ir além dos limites da experiência, o que não é possivel. Quer ir no âmago das coisas em si, cometendo erros gravíssimos com idéias a respeito da alma, do universo e de deus. Porém, Kant toma uma vereda lateral e busca na razão prática, na moral, uma saída especulativa para resolver este problema da metafísica. Veremos em próximo capítulo.
DIALÉTICA TRANSCENDENTAL DE KANT - VI
Se para Kant só há o objeto a ser conhecido nas possibilidades do sujeito e só há sujeito cognoscente representando fenômenos de objetos conhecidos, como fica o conhecimento da alma, do universo e de Deus,na visão Kantiana?
De antemão vemos uma impossibilidade de conhecê-los, pois pelo estudo da estética e da analítica transcendental, só podemos conceber objetos perantes a sujeitos cognoscentes, mesmo assim percebendo-os como fenêmenos e não como são em si mesmos.
Para Kant o conhecimento se dá diante de dois grupos: um grupo formal composto de espaço, tempo e categorias ante os elementos materiais ou de conteúdo, que é o grupo da percepção possivel ou da objetividade sujeitado ao espaço, tempo e categorias.
A metafísica pretende dar um salto sobre esta única forma de conhecimento, acima do espaço, do tempo e das categorias, apreendendo materiais em si mesmos, portanto onde está seu pecado mortal, sua falha? Por onde se iludiu a chegar em coisas em si mesmas, através da razão?
De imediato sabemos que não tem condição de irmos além da percepção sensivel para chegarmos a esta idéia. A alma, o universo e Deus ficam além da percepção sensivel dos moldes do espaço, tempo e categorias. Podemos perceber uma vivência, outra vivência, vivências passadas. Podemos perceber uma mesa, árvores, carros, planetas. Mas como vamos perceber a alma em si, o universo em si e ainda um Deus?
A razão tem poder de síntese sim, de julgamentos, de unificar relações entre objetos. A metafísica está dentro do campo onde a razão infinitamente sintetizando, na totalidade do univel, sendo estas sínteses totais o objeto da metafísica. Todas as modificações que vivemos nos leva a uma síntese suprema de alma. De todas as contraposições do eu pensante relacionado aos fenômenos representados, sintetisa-se a noção de universo. Deus passa a ser a síntese unficadora de tudo isto, da alma e do universo, condição metafísica da razão. A estas unidades supremas de alma, universo e deus, Kant chamou de idéias, sendo uma possibilidade metafísica da razão.
Portanto a razão não age adoidamente, ela dá uma salto acima da tendência infinita das relações de causa/efeito e outras relações provocadas pelas cognoscibilidade e salta sobre a tendência desta série infinita e chega a um ponto de unficidade suprema à idéia de alma, universo e deus. Mas continuaremos este papo um pouco mais em outros capítulos.
De antemão vemos uma impossibilidade de conhecê-los, pois pelo estudo da estética e da analítica transcendental, só podemos conceber objetos perantes a sujeitos cognoscentes, mesmo assim percebendo-os como fenêmenos e não como são em si mesmos.
Para Kant o conhecimento se dá diante de dois grupos: um grupo formal composto de espaço, tempo e categorias ante os elementos materiais ou de conteúdo, que é o grupo da percepção possivel ou da objetividade sujeitado ao espaço, tempo e categorias.
A metafísica pretende dar um salto sobre esta única forma de conhecimento, acima do espaço, do tempo e das categorias, apreendendo materiais em si mesmos, portanto onde está seu pecado mortal, sua falha? Por onde se iludiu a chegar em coisas em si mesmas, através da razão?
De imediato sabemos que não tem condição de irmos além da percepção sensivel para chegarmos a esta idéia. A alma, o universo e Deus ficam além da percepção sensivel dos moldes do espaço, tempo e categorias. Podemos perceber uma vivência, outra vivência, vivências passadas. Podemos perceber uma mesa, árvores, carros, planetas. Mas como vamos perceber a alma em si, o universo em si e ainda um Deus?
A razão tem poder de síntese sim, de julgamentos, de unificar relações entre objetos. A metafísica está dentro do campo onde a razão infinitamente sintetizando, na totalidade do univel, sendo estas sínteses totais o objeto da metafísica. Todas as modificações que vivemos nos leva a uma síntese suprema de alma. De todas as contraposições do eu pensante relacionado aos fenômenos representados, sintetisa-se a noção de universo. Deus passa a ser a síntese unficadora de tudo isto, da alma e do universo, condição metafísica da razão. A estas unidades supremas de alma, universo e deus, Kant chamou de idéias, sendo uma possibilidade metafísica da razão.
Portanto a razão não age adoidamente, ela dá uma salto acima da tendência infinita das relações de causa/efeito e outras relações provocadas pelas cognoscibilidade e salta sobre a tendência desta série infinita e chega a um ponto de unficidade suprema à idéia de alma, universo e deus. Mas continuaremos este papo um pouco mais em outros capítulos.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
KANT V: a partir da lógica formal de Aristóteles, os juízos, as categorias e o sujeito cognoscente, o "eu cognoscente"
Aristóteles dividiu os juízos conforme quatro modos: segundo a quantidade, segundo a qualidade, segundo a relação e segundo a conformidade(quantidade/qualidade/relação/conformidade), sendo que cada um deles se divide em três tipos de juízos.
Pela quantidade os juizos podem ser: individuais, particulares e universais. Se digo que x é y, isto é "Pablo é espanhol", o juízo é individual.
Se digo alguns x são y, o juízo é particular. Se digo que todo x é y, o juízo é universal. Pablo é espanhol(individual); alguns Pablos são espanhóis(particulare); todos os Pablos são espanhóis(universal).
Pela qualidade os juízos são afirmativos, negativos e infinitos. Se digo x é y (caso do Pablo é espanhol), é de qualidade afirmativa. Quando não predica o predicado do sujeito, por ex. "a matemática não é fácil...", o juizo é de qualidade negativa. Quando predica do sujeito a negação do predicado, por ex."os carros não são meios de transporte aquático", estamos afirmando que exitem meios de transporte aquático e deixamos em aberto que existem vários tipos de carros. Este juízo é de qualidade infinita.
Pela relação os juízos podem ser: categóricos, hipotéticos e disjuntivos. Categórico: sem condição nenhuma o predicado é do sujeito "o ar é pesado". Hipotético: afirma o predicado é do sujeito sob condição "se X é Y, então é Z... Se Pablo é espanhol, então é europeu". Disjuntivo: quando alterna um ou outro predicado "X é Y ou Z... Pablo é espanhol, francês ou português".
Pela modalidade os juízos podem ser problemáticos, assertórios e apodíticos. Um juízo é problemático quando predica do sujeito um predicado possivel: X pode ser Y. No juízo assertório o predicado se afirma do sujeito: X é Y. No juízo apodítico o predicado se afirma do sujeito sendo necessariamente predicado do sujeito: X necessariamente tem que ser Y(a soma dos ângulos internos de um triângulo tem que ser dois retos, não podendo ter outro resultado de soma).
Kant foi mais além, raciocinando assim: se a cada juízo corresponde uma forma de ver a realidade, a ele adicionando categorias ficarei mais perto de perceber com mais clareza esta realidade, assim a cada juízo vou extrair de forma mais perfeita uma correspondência na realidadel, aperfeiçoando meu ato de julgar.
Assim, os juizos individuais contém a UNIDADE. Os juízos particulares contém a PLURALIDADE. Os juízos universais contém a TOTALIDADE.
Os juízos afirmativos, negativos e infinitos, contém a ESSÊNCIA, no seu sentido de ESSÊNCIA, NEGAÇÃO e LIMITAÇÃO.
Os juízos categóricos contém a categoria de SUBSTÂNCIA com propriedade desta substância. Os juízos hipotéticos contém a CAUSALIDADE de CAUSA e EFEITO. Os juízos disjuntivos contém a categoria de AÇÃO RECÍPROCA.
Os juízos problemáticos contém a categoria de POSSIBILIDADE. Os juízos assertórios a categoria de EXISTÊNCIA. Os juízos apodíticos a categoria de NECESSIDADE.
QUE SENTIDO TEM TODO ESTE TRABALHO DE KANT COLOCANDO AS CATEGORIAS SOBRE OS JUÍZOS DA LÓGICA FORMAL DE ARISTÓTELES?
Agora vem a parte mais importante da crítica da razão pura, o núcleo gerador do pensamento de Kant e que se chama:
DEDUÇÃO TRANSCENDENTAL DAS CATEGORIAS.
Todos estes textos escritos em poucos artigos são uma síntese de várias obras e anos de trabalho de Kant que foram refeitas várias vezes por ele próprio.
As categorias são as condições possiveis dos juízos sintéticos a priori na Física. As condições do conhecimento são as condições da objetividade. Todo o conhecimento matemático, físico, tudo o que o homem acumulou com o seu esforço de vontade, todo o seu conjunto sistemático de teses,como as coisas se movem, as leis de causa e efeito, o aparecimento e desaparecimento das coisas, a inter-relação entre as coisas, como fiel expressão da realidade das coisas, da qual não podemos duvidar, que possuem necessidade e universalidade, são possiveis pelo homem por quais condições?
Sob as condições que existam objetos e que eles tenham um estado de ser(sejam um ou múltiplos, reúnam-se ou não em totalidades, sejam substâncias com propriedades, tenham causas e efeitos, efeitos com causas, ações e reações,...), ou seja sem estas condições do estado de ser das coisas, não haveria conhecimento.
Mas sendo que as coisas só nos enviam impressões, é óbvio que elas não tem condições de nos enviar julgamentos de unidade, totalidade, pluralidade, ação, reação, causa, efeito, etc. Se ficássemos dependendo das coisas para nos enviar categorias através de impressões, nós não teríamos segurança alguma do conhecimento científico e nem caberia nenhum esforço para produzí-lo. Só se encontra segurança daquele argumento que você alcança por você mesmo, com o seu próprio intelecto.
Então, as possibilidades das categorias que levam ao verdadeiro conhecimento das coisas, somos nós que colocamos nos fenômenos, elas são nossas mesmas, da nossa natureza mais subliminar e íntima, elas são a priori, puras em nós.
Portanto, arregace a manga de sua camisa que você tem condições plenas de descobrir muita coisa com respeito à essência da natureza(em grego physis).
Daí que vem a inversão copernicana de Kant. São as coisas que se ajustm aos nossos conceitos/intuições/categorias e não nossos conceitos que se ajustam às coisas. As categorias são conceitos puros a priori que nós não extraimos das coisas, mas impomos nelas.
O conhecimento aparece quando o homem assume-se como SUJEITO DO CONHECIMENTO. Quando o "eu" quer conhecer, torna-se SUJEITO COGNOSCENTE, imprimindo nas coisas as categorias que são conceitos puros a priori.
Quando o homem começa a perguntar "o que é isto? como funciona isto?", ele deixa de ser um "eu biológico", para ser um "eu superior", um "eu cognoscente". Neste momento o homem ergue-se por cima de todos os animais e todos os outros homens, porque assumiu uma posição de caráter científico. Cresce o "eu" e cresce o objeto, pois um se eleva sobre a humanidade e o outro deixa de ser um esquecimento ou um amontoado de impressões. Quando o "eu" assume as categorias de unidade, pluralidade, totalidade, causa, efeito, substância, e todas estas categorias e entra na relação do conhecimento, o "eu" aproxima-se da unidade do sujeito cognoscente.
Como vimos nestes artigos, a sensibilidade tem duas formas ou estruturas a priori que são o espaço e o tempo. O intelecto tem dozes formas ou estruturas a priori que são as categorias. A unificação da sensibilidade com o intelecto produz o conhecimento puro a priori que temos das coisas.
Em próximos artigos falarei sobre as faculdades da razão e as idéias da razão, porque a razão tem tres formas ou estruturas a priori que são as idéias.
Pela quantidade os juizos podem ser: individuais, particulares e universais. Se digo que x é y, isto é "Pablo é espanhol", o juízo é individual.
Se digo alguns x são y, o juízo é particular. Se digo que todo x é y, o juízo é universal. Pablo é espanhol(individual); alguns Pablos são espanhóis(particulare); todos os Pablos são espanhóis(universal).
Pela qualidade os juízos são afirmativos, negativos e infinitos. Se digo x é y (caso do Pablo é espanhol), é de qualidade afirmativa. Quando não predica o predicado do sujeito, por ex. "a matemática não é fácil...", o juizo é de qualidade negativa. Quando predica do sujeito a negação do predicado, por ex."os carros não são meios de transporte aquático", estamos afirmando que exitem meios de transporte aquático e deixamos em aberto que existem vários tipos de carros. Este juízo é de qualidade infinita.
Pela relação os juízos podem ser: categóricos, hipotéticos e disjuntivos. Categórico: sem condição nenhuma o predicado é do sujeito "o ar é pesado". Hipotético: afirma o predicado é do sujeito sob condição "se X é Y, então é Z... Se Pablo é espanhol, então é europeu". Disjuntivo: quando alterna um ou outro predicado "X é Y ou Z... Pablo é espanhol, francês ou português".
Pela modalidade os juízos podem ser problemáticos, assertórios e apodíticos. Um juízo é problemático quando predica do sujeito um predicado possivel: X pode ser Y. No juízo assertório o predicado se afirma do sujeito: X é Y. No juízo apodítico o predicado se afirma do sujeito sendo necessariamente predicado do sujeito: X necessariamente tem que ser Y(a soma dos ângulos internos de um triângulo tem que ser dois retos, não podendo ter outro resultado de soma).
Kant foi mais além, raciocinando assim: se a cada juízo corresponde uma forma de ver a realidade, a ele adicionando categorias ficarei mais perto de perceber com mais clareza esta realidade, assim a cada juízo vou extrair de forma mais perfeita uma correspondência na realidadel, aperfeiçoando meu ato de julgar.
Assim, os juizos individuais contém a UNIDADE. Os juízos particulares contém a PLURALIDADE. Os juízos universais contém a TOTALIDADE.
Os juízos afirmativos, negativos e infinitos, contém a ESSÊNCIA, no seu sentido de ESSÊNCIA, NEGAÇÃO e LIMITAÇÃO.
Os juízos categóricos contém a categoria de SUBSTÂNCIA com propriedade desta substância. Os juízos hipotéticos contém a CAUSALIDADE de CAUSA e EFEITO. Os juízos disjuntivos contém a categoria de AÇÃO RECÍPROCA.
Os juízos problemáticos contém a categoria de POSSIBILIDADE. Os juízos assertórios a categoria de EXISTÊNCIA. Os juízos apodíticos a categoria de NECESSIDADE.
QUE SENTIDO TEM TODO ESTE TRABALHO DE KANT COLOCANDO AS CATEGORIAS SOBRE OS JUÍZOS DA LÓGICA FORMAL DE ARISTÓTELES?
Agora vem a parte mais importante da crítica da razão pura, o núcleo gerador do pensamento de Kant e que se chama:
DEDUÇÃO TRANSCENDENTAL DAS CATEGORIAS.
Todos estes textos escritos em poucos artigos são uma síntese de várias obras e anos de trabalho de Kant que foram refeitas várias vezes por ele próprio.
As categorias são as condições possiveis dos juízos sintéticos a priori na Física. As condições do conhecimento são as condições da objetividade. Todo o conhecimento matemático, físico, tudo o que o homem acumulou com o seu esforço de vontade, todo o seu conjunto sistemático de teses,como as coisas se movem, as leis de causa e efeito, o aparecimento e desaparecimento das coisas, a inter-relação entre as coisas, como fiel expressão da realidade das coisas, da qual não podemos duvidar, que possuem necessidade e universalidade, são possiveis pelo homem por quais condições?
Sob as condições que existam objetos e que eles tenham um estado de ser(sejam um ou múltiplos, reúnam-se ou não em totalidades, sejam substâncias com propriedades, tenham causas e efeitos, efeitos com causas, ações e reações,...), ou seja sem estas condições do estado de ser das coisas, não haveria conhecimento.
Mas sendo que as coisas só nos enviam impressões, é óbvio que elas não tem condições de nos enviar julgamentos de unidade, totalidade, pluralidade, ação, reação, causa, efeito, etc. Se ficássemos dependendo das coisas para nos enviar categorias através de impressões, nós não teríamos segurança alguma do conhecimento científico e nem caberia nenhum esforço para produzí-lo. Só se encontra segurança daquele argumento que você alcança por você mesmo, com o seu próprio intelecto.
Então, as possibilidades das categorias que levam ao verdadeiro conhecimento das coisas, somos nós que colocamos nos fenômenos, elas são nossas mesmas, da nossa natureza mais subliminar e íntima, elas são a priori, puras em nós.
Portanto, arregace a manga de sua camisa que você tem condições plenas de descobrir muita coisa com respeito à essência da natureza(em grego physis).
Daí que vem a inversão copernicana de Kant. São as coisas que se ajustm aos nossos conceitos/intuições/categorias e não nossos conceitos que se ajustam às coisas. As categorias são conceitos puros a priori que nós não extraimos das coisas, mas impomos nelas.
O conhecimento aparece quando o homem assume-se como SUJEITO DO CONHECIMENTO. Quando o "eu" quer conhecer, torna-se SUJEITO COGNOSCENTE, imprimindo nas coisas as categorias que são conceitos puros a priori.
Quando o homem começa a perguntar "o que é isto? como funciona isto?", ele deixa de ser um "eu biológico", para ser um "eu superior", um "eu cognoscente". Neste momento o homem ergue-se por cima de todos os animais e todos os outros homens, porque assumiu uma posição de caráter científico. Cresce o "eu" e cresce o objeto, pois um se eleva sobre a humanidade e o outro deixa de ser um esquecimento ou um amontoado de impressões. Quando o "eu" assume as categorias de unidade, pluralidade, totalidade, causa, efeito, substância, e todas estas categorias e entra na relação do conhecimento, o "eu" aproxima-se da unidade do sujeito cognoscente.
Como vimos nestes artigos, a sensibilidade tem duas formas ou estruturas a priori que são o espaço e o tempo. O intelecto tem dozes formas ou estruturas a priori que são as categorias. A unificação da sensibilidade com o intelecto produz o conhecimento puro a priori que temos das coisas.
Em próximos artigos falarei sobre as faculdades da razão e as idéias da razão, porque a razão tem tres formas ou estruturas a priori que são as idéias.
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