Vivemos numa época denominada de global, porém uma observação mais criteriosa, crítica e cirúrgica, leva-nos a identificá-la como reducionista e simplicista. O psiquismo se reduz ao neurologismo. O corpo se submete em toda a sua magnitude à plasticidade. A cura terapêutica se perde na rapidez imediata, no sucesso do dia seguinte após uma introjeção pseudo-psicanalítica. A longa conversa, escavadora e arqueológica do inconsciente, substituiram-na por cursos de curto período ministrados por profissionais de formação relâmpaga, ou enganosa.
Desta forma, os problemas pessoais se refugiam em outros meandros intra-psíquicos, provocando danos imediatamente imperceptíveis, porém desastrosos ao longo da vida.
Vivemos a era do vazio, da varredura narcisística através da mídia, da inversão de valores e do virtual soterrando o real, expondo a aparência de uma mente plena, porém, sem sentidos.
Quando se anula ou se ausenta a função materna/paterna que é a construção ideal da consciência, cava-se um fosso, onde se enterra viva toda a possibilidade humana.
Construimos sim, numa sociedade sem sentido, um ser humano dentro de uma cultura não simbólica e frágil. Família sem elos, sem histórias para contar, sem os contos míticos familiares, sem paisagem de passado, permanência de presente e transcendência de futuro.
Era do consumo, do vazio, da magreza light, da violência social ignorada e da violência disseminada para um campo mundanizado.
O uso indiscriminado da televisão e da mídia em geral, abole o momento mágico de onde brota toda a fonte do pensar, do sentir, do intuir, do criar, do reproduzir.
Esta situação conduz ao erotismo, ao voyerismo, ao canibalismo cultural, ao mundanismo do sagrado, do mítico, do religioso, do humanismo; originando pessoas apáticas, frágeis, frígidas, sem significado e sem cosmovivência.
A instantaneidade não só na terapia, como na alimentação, no ir e vir, no lazer, nas compras, nas trocas sociais, implode o crescimento do ser, mina suas concepções de sociedade, de universo, de humanidade, tornando-o um robot pelas vicissitudes de uma época abstrata do real.
O contato com o outro e com a natureza é o verdadeiro amálgama da transformação humana e quando ele se distancia da práxis vivendus, um vírus destrutivo contamina o tecido humano e social, o que leva à marginalização de muitos, à angústia, ao pânico e à solidão.
Hoje, mais do que nunca, torna-se urgente a presença de filósofos terapêuticos que sejam porta vozes proféticas da salvaguarda noética deste mundo cataclístico que nos antepara e que engana a humanidade, levando-a por uma vereda, que termina numa encruzilhada surgida na ausência do sentido de ser e de viver.
Um herói da resistência brasileira, poeta, escritor, amante da música e da arte. Um homem em busca da harmonia e da paz. Um ser humano muito simples, que valoriza o significado profundo da vida. Para mim, a humanidade ganha sentido na fraternidade. O amor é a própria divindade.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
VOCÊS SÃO 10 ! FELIZ 2011 - RETOMADA DE CONSCIÊNCIA
Eu prometo em 2011, ser 10:
10 em olhar com bons olhos ao meu próximo, porque ele é meu irmão;
10 em ouvir com bons ouvidos as mais belas canções, porque elas fazem bem à alma;
10 em falar palavras boas, porque a palavra tem poder;
10 em continuar usando meus braços para um aperto de mão, para abraçar ao que sofre e para nunca dar adeus;
10 em usar minhas pernas para continuar a caminhar no bom caminho;
10 por inalar o perfume das flores, porque é a essência maior da natureza;
10 por trabalhar para o bem supremo da humanidade, porque a ela pertenço;
10 por fazer o que gosto, porque escrever foi o dom que Deus me deu;
10 por saber que minha janela se abre ao mundo e que as outras janelas também se abrem para o mundo;
10 para todos vocês, porque vocês são 10!
10 em olhar com bons olhos ao meu próximo, porque ele é meu irmão;
10 em ouvir com bons ouvidos as mais belas canções, porque elas fazem bem à alma;
10 em falar palavras boas, porque a palavra tem poder;
10 em continuar usando meus braços para um aperto de mão, para abraçar ao que sofre e para nunca dar adeus;
10 em usar minhas pernas para continuar a caminhar no bom caminho;
10 por inalar o perfume das flores, porque é a essência maior da natureza;
10 por trabalhar para o bem supremo da humanidade, porque a ela pertenço;
10 por fazer o que gosto, porque escrever foi o dom que Deus me deu;
10 por saber que minha janela se abre ao mundo e que as outras janelas também se abrem para o mundo;
10 para todos vocês, porque vocês são 10!
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
VIVA A MÚSICA
Alguém me perguntou qual a razão que me faz gostar tanto de música. A minha resposta foi rápida: PORQUE TUDO É MÚSICA! EM MAIOR OU MENOR GRAU, TUDO É MÚSICA!
Bem que diziam nossos antigos irmãos de Essen: EM TUDO HÁ MÚSICA. O universo é um teclado cósmico. A variedade de coisas está conforme a sinfonia tocada. Até uma pedra é uma nota musical. As diferentes pedras são variedades desta nota. Cada reino da natureza é uma partitura. As diferenças são as intercombinações das notas musicais. Quando destruimos uma parte da natureza, destroçamos um grupo da orquestra. Porém, o maestro continua a reger sem parar.
Cuidado com quem não gosta de música. Com certeza ele está desconforme com a natureza. Quando você quiser conhecer as pessoas, coloque músicas para elas ouvirem e perceberá pela qualidade delas, como suas almas estão afinadas ou não.
Você conhece uma geração pela música que ela ouve. Por aí, pode-se prever o futuro de uma Nação.
TUDO É MÚSICA. QUANTO MAIS BELA, MAIS PERFEITA, MAIS SINFÔNICA FOR, MAIS VOCÊ ESTARÁ PERTO DO REGENTE UNIVERSAL.
Bem que diziam nossos antigos irmãos de Essen: EM TUDO HÁ MÚSICA. O universo é um teclado cósmico. A variedade de coisas está conforme a sinfonia tocada. Até uma pedra é uma nota musical. As diferentes pedras são variedades desta nota. Cada reino da natureza é uma partitura. As diferenças são as intercombinações das notas musicais. Quando destruimos uma parte da natureza, destroçamos um grupo da orquestra. Porém, o maestro continua a reger sem parar.
Cuidado com quem não gosta de música. Com certeza ele está desconforme com a natureza. Quando você quiser conhecer as pessoas, coloque músicas para elas ouvirem e perceberá pela qualidade delas, como suas almas estão afinadas ou não.
Você conhece uma geração pela música que ela ouve. Por aí, pode-se prever o futuro de uma Nação.
TUDO É MÚSICA. QUANTO MAIS BELA, MAIS PERFEITA, MAIS SINFÔNICA FOR, MAIS VOCÊ ESTARÁ PERTO DO REGENTE UNIVERSAL.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
terça-feira, 30 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
domingo, 14 de novembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
domingo, 24 de outubro de 2010
A PRIMAZIA DA RAZÃO SOBRE A RAZÃO PURA TEÓRICA - KANT X - ÚLTIMO ARTIGO
Com este último artigo, fechamos o trabalho sobre Kant e você tem em suas mãos um compêndio que lhe dá condições de entender o pensamento desta grande mente filosófica da humanidade. Lembro que é um resumo homeopático de uma obra vastíssima e de dezenas de anos do trabalho intelectual de Kant, mas que leva à compreensão de um pensador que não é fácil de ser compreendido pela simples leitura de seus livros.
Justapondo a lei moral de um lado e a vontade pura do outro lado, estamos diante da autonomia ou heteronomia da vontade. Os princípios da moralidade que se ajustam aos conteúdos empíricos da ação, embasados nas éticas, mandamentos, castigos, penas, recompensas, etc. são heterônimos. A lei puramente formal que não se origina em conteúdos empíricos, mas que tem seu privilégio no lugar da consciência é autônoma. Este é o lugar psicológico, o reino da moral, o porquê da conduta moral, a voz da consciência. Kant: "age de tal maneira que o motivo, o princípio que te leva a agir, possas tu querer que seja uma lei universal".
Das condições da ciência extraimos as condições do conhecimento e das condições da lei moral as nossas condições de agir. As condições do conhecimento dependem do espaço/tempo/categorias, etc. em prol dos fenômenos internos, mas as condições do agir não dependem exclusivamente disto. Aí está a grande genialidade kantiana. É o mundo das realidades supra sensíveis, inteligíveis, em outra dimensão da consciência, num lugar incognoscível, tendo nosso eu duas formas: um eu conhecendo a natureza e um eu supra sensivel, na dimensão da consciência moral.
Neste momento penso uma coisa: não é em vão que criaram a Bioética! Dá para entender cientistas fazendo adubos químicos, armas nucleares, cientistas submetidos à indústria farmacêutica que te repara um fígado ao mesmo tempo que te arruina os rins, etc.? Este é o postulado da liberdade quando o homem não se rende ao mundo sensivel e reina no mundo supra sensivel, que é o lugar psicológico da consciência moral.
Quando você escapa do mundo das formas, do sensivel, do tempo, do espaço, das categorias, das causas e efeitos, das idéias do princípio e fim, do corpóreo versus anímico, você entra no reino da imortalidade do mundo supra sensivel da consciência psicológica moral. Isto é o que Kant chama de santidade. Não deixa de ser uma crença inabalavel na imortalidade da alma.
Com a liberdade moral, com a imortalidade, extinguindo o abismo que há entre o ideal e a realidade compreendemos a Deus. O mundo fenomênico de causas e efeitos que se afunda na tragédia humana da maldade e da injustiça se equipara ao distanciamento de Deus. A supra sintese que pretende reunir em nós o ideal ao real é a idéia de Deus. A razão prática nos conduz às verdades da metafísica. A razão teórica está a serviço da razão prática, sendo um trâmite entre o mundo fenomênico e o lugar psicológico da moral, uma passagem do mundo fenomênico ao mundo essencial supra sensivel das almas, do universo e de Deus.
Justapondo a lei moral de um lado e a vontade pura do outro lado, estamos diante da autonomia ou heteronomia da vontade. Os princípios da moralidade que se ajustam aos conteúdos empíricos da ação, embasados nas éticas, mandamentos, castigos, penas, recompensas, etc. são heterônimos. A lei puramente formal que não se origina em conteúdos empíricos, mas que tem seu privilégio no lugar da consciência é autônoma. Este é o lugar psicológico, o reino da moral, o porquê da conduta moral, a voz da consciência. Kant: "age de tal maneira que o motivo, o princípio que te leva a agir, possas tu querer que seja uma lei universal".
Das condições da ciência extraimos as condições do conhecimento e das condições da lei moral as nossas condições de agir. As condições do conhecimento dependem do espaço/tempo/categorias, etc. em prol dos fenômenos internos, mas as condições do agir não dependem exclusivamente disto. Aí está a grande genialidade kantiana. É o mundo das realidades supra sensíveis, inteligíveis, em outra dimensão da consciência, num lugar incognoscível, tendo nosso eu duas formas: um eu conhecendo a natureza e um eu supra sensivel, na dimensão da consciência moral.
Neste momento penso uma coisa: não é em vão que criaram a Bioética! Dá para entender cientistas fazendo adubos químicos, armas nucleares, cientistas submetidos à indústria farmacêutica que te repara um fígado ao mesmo tempo que te arruina os rins, etc.? Este é o postulado da liberdade quando o homem não se rende ao mundo sensivel e reina no mundo supra sensivel, que é o lugar psicológico da consciência moral.
Quando você escapa do mundo das formas, do sensivel, do tempo, do espaço, das categorias, das causas e efeitos, das idéias do princípio e fim, do corpóreo versus anímico, você entra no reino da imortalidade do mundo supra sensivel da consciência psicológica moral. Isto é o que Kant chama de santidade. Não deixa de ser uma crença inabalavel na imortalidade da alma.
Com a liberdade moral, com a imortalidade, extinguindo o abismo que há entre o ideal e a realidade compreendemos a Deus. O mundo fenomênico de causas e efeitos que se afunda na tragédia humana da maldade e da injustiça se equipara ao distanciamento de Deus. A supra sintese que pretende reunir em nós o ideal ao real é a idéia de Deus. A razão prática nos conduz às verdades da metafísica. A razão teórica está a serviço da razão prática, sendo um trâmite entre o mundo fenomênico e o lugar psicológico da moral, uma passagem do mundo fenomênico ao mundo essencial supra sensivel das almas, do universo e de Deus.
KANT / IX - IMPERATIVOS HIPOTÉTICOS E IMPERATIVOS CATEGÓRICOS.
Se falei em boa vontade, então existe a má vontade? Em que consistem estas vontades? Todo ato voluntário se apresenta à razão em forma de imperativo. Isto tem que ser feito, não é certo fazer aquilo, cuidado com esta ação, todas estas reflexões surgem na consciência em forma de imperativos: hipotéticos ou absolutos. A lógica formal do imperativo hipotético o submete a uma condição:"se queres aprender esta matéria, estude muito." Ele não é absoluto, não é incondicional, porque já diz "se queres", assim como outros imperativos hipotéticos.
Mas examinemos agora os mandamentos morais: "honra teu pai e tua mãe", "ame tua terra natal", "não matarás", "não furtarás", etc. Eles são categóricos, pois a imperatividade não requer nenhuma condição. Eles nascem dentro da própria vontade humana. Pertencem ao campo da moralidade e não da legalidade. Nem tudo que está dentro da lei, ou da legalidade, também está dentro da moralidade. O que você faz de acordo com a lei é porque você se ajusta a ela. Vou aqui dar um exemplo muito prático. Em 1885 era legal(dentro da lei), aqui no Brasil você possuir escravos. Mas não era moral. A partir de 13 de maio de 1888, com a Lei da Alforria(Lei Áurea) era ilegal você ter escravos. E nunca será moral ter escravos. Imagine você, quantas leis temos por aí que são legais e não são morais. Quer saber de uma? A Lei do Salário Mínimo! Você sabe quanto ganha um vereador, um deputado, um senador que não protesta contra esta lei? Mas isto é outra história, não é? Então vamos continuar com Kant, conforme propomos.
Um ato que você faz porque quer ter recompensa ou evita um castigo, não está assentado na lei moral. É um imperativo hipotético, não é um imperativo categórico. O imperativo categórico ouve a voz da consciência. A sua vontade só é pura, moral e terá validez, se ouvir esta voz e refletí-la em suas ações.
Em fórmula lógica diremos: toda ação tem uma matéria (aquilo que você faz ou omite) e uma forma (o porquê se faz ou porquê se omite). Uma ação será pura e moral não só pela grandeza do conteúdo, mas pela voz da consciência em torno do dever.
A famosa fórmula kantiana do imperativo categórico ou da lei moral/ universal é esta: "age de maneira que possas querer que o motivo que te levou a agir, seja uma lei universal".
Vou dar um exemplo muito simples, embora existem milhares de outros: você tem um amigo nas últimas no hospital. Hoje é domingo e joga flamengo e vasco. Você é flamenguista doente. Seu amigo quer se despedir de você. Ele é doente terminal. Ou você faz sua vontade humana de assistir ao jogo, ou você vai pela lei moral/universal. Uma coisa é ser hipotético, outra coisa é ser categórico.
Categoricamente falando eu sei que você iria. E não iria contra a sua vontade, pois seria hipotético!
Mas examinemos agora os mandamentos morais: "honra teu pai e tua mãe", "ame tua terra natal", "não matarás", "não furtarás", etc. Eles são categóricos, pois a imperatividade não requer nenhuma condição. Eles nascem dentro da própria vontade humana. Pertencem ao campo da moralidade e não da legalidade. Nem tudo que está dentro da lei, ou da legalidade, também está dentro da moralidade. O que você faz de acordo com a lei é porque você se ajusta a ela. Vou aqui dar um exemplo muito prático. Em 1885 era legal(dentro da lei), aqui no Brasil você possuir escravos. Mas não era moral. A partir de 13 de maio de 1888, com a Lei da Alforria(Lei Áurea) era ilegal você ter escravos. E nunca será moral ter escravos. Imagine você, quantas leis temos por aí que são legais e não são morais. Quer saber de uma? A Lei do Salário Mínimo! Você sabe quanto ganha um vereador, um deputado, um senador que não protesta contra esta lei? Mas isto é outra história, não é? Então vamos continuar com Kant, conforme propomos.
Um ato que você faz porque quer ter recompensa ou evita um castigo, não está assentado na lei moral. É um imperativo hipotético, não é um imperativo categórico. O imperativo categórico ouve a voz da consciência. A sua vontade só é pura, moral e terá validez, se ouvir esta voz e refletí-la em suas ações.
Em fórmula lógica diremos: toda ação tem uma matéria (aquilo que você faz ou omite) e uma forma (o porquê se faz ou porquê se omite). Uma ação será pura e moral não só pela grandeza do conteúdo, mas pela voz da consciência em torno do dever.
A famosa fórmula kantiana do imperativo categórico ou da lei moral/ universal é esta: "age de maneira que possas querer que o motivo que te levou a agir, seja uma lei universal".
Vou dar um exemplo muito simples, embora existem milhares de outros: você tem um amigo nas últimas no hospital. Hoje é domingo e joga flamengo e vasco. Você é flamenguista doente. Seu amigo quer se despedir de você. Ele é doente terminal. Ou você faz sua vontade humana de assistir ao jogo, ou você vai pela lei moral/universal. Uma coisa é ser hipotético, outra coisa é ser categórico.
Categoricamente falando eu sei que você iria. E não iria contra a sua vontade, pois seria hipotético!
sábado, 23 de outubro de 2010
RAZÃO PRÁTICA OU CONSCIÊNCIA MORAL (nous practikós) DE KANT. kant VIII
Se Kant vê a metafísica impossivel como conhecimento científico, teorético, especulativo, não quer dizer que não haja outra via para chegar a estes conhecimentos metafísicos. Se estes caminhos não seriam os do conhecimento teorético-científico, quais seriam então? Se nós pensarmos que o imenso campo de atividades humanas não é apenas o campo do conhecimento, já daremos abertura para isto. Nós estudamos, corremos, brincamos, construimos, instituimos sistemas políticos, religiosos, etc. somos múltiplos em nossas ações. Nós temos uma consciência moral que tem alicerces tão fortes como os do conhecimento. Temos juizos morais tão válidos como os juizos lógicos do conhecimento. Para Kant nós temos a razão prática que é a consciência moral uma forma de se chegar ao conhecimento da metafísica, com a razão aplicada à ação, à prática, à moral. Assim temos os qualificativos morais: bom, mau, moral, imoral, meritório, pecaminoso, etc. Estes qualificativos que aplicamos às coisas não são inerentes em si das coisas. As coisas não são boas nem más. Só o homem pode ser bom ou mau, então estes qualificativos vem do homem mesmo e são formas através das quais analisa as coisas, são estruturas internas humanas. A vontade humana é quem faz a distinção do que é bom ou mau. Continuaremos em próximos artigos.
KANT COM SUA CRÍTICA PRETENDE DESMASCARAR A METAFÍSICA DE SUA ÉPOCA - KANT VII
Se as nossas vivências ocorrem dentro do tempo e não tem como extraí-lo para considerá-las e levá-las a um ponto máximo num salto além das séries das sintetizações, como poderemos ter uma idéia da alma? Não podemos sair do trilho do tempo, nem abdicar dele em nossas vivências e não temos como chegar a uma idéia concreta de alma. O tempo junto com o espaço é a primeira condição do conhecimento. Erra a psicologia em jogar a alma fora do tempo e do espaço para conhecê-la.
A outra questão kantiana sobre a metafísica é o problema do universo que vai cair em antinomias.
Primeira antinomia: tese: o universo tem um princípio no tempo e limites no espaço: antítese: o universo é infinito no tempo e no espaço. Segunda antinomia: tese: tudo quanto existe no universo está composto de elementos simples; antítese: aquilo que existe no universo não está composto de elementos simples, mas de elementos infinitamente divisíveis; terceira antinomia: o universo deve ter tido uma causa que não seja por sua vez causada; antítese: o universo não pode ter tido uma causa que não seja por sua vez causada; quarta antinomia: tese: nem no universo nem fora dele pode haver um ser necessário; antítese: no universo ou fora dele há de haver um ser necessário(ser necessário e causa dá no mesmo! as duas últimas antinomias se correlacionam!).Como se vê a razão acerca do universo em si afirma e nega. Onde está a falha, o erro da razão? É porque se está tomando o tempo e o espaço como coisas em si mesmo e não como modos de conhecer. Então procura-se discutir estas questões de início e fim. Tomando-os como coisas em si e não como formas de cognoscibilidade cometemos um grande erro, assim as duas primeiras antinomias são falsas. Nas duas últimas antinomias as teses são verdadeiras porque buscam o mundo fenomênico enquanto as antíteses buscam o noumenon(coisa em si) poderão ser verdadeiras se houver uma outra forma de conhecer em nossa consciência humana. As teses seriam válidas para as ciências físico-matemáticas e as antíteses para as ciências metafísicas, digo, se houver em nossa consciência uma via para o conhecimento que não seja a do conhecimento científico. Será que existe na razão esta possibilidade? Por Kant, creio que não!
À questão da existência de Deus, Kant agrupa tres argumentos: o antológico, o cosmológico e o físico-teológico. Kant busca Descartes e Santo Anselmo:"...eu tenho a idéia de um ser, de um ente perfeito; este ente perfeito tem de existir,porque se não existisse faltar-lhe-ia a perfeição da existência e não seria perfeito..." Kant rebate: para dizer que uma coisa existe preciso de correlacionar sujeito cognoscente com fenômeno cognoscido e como vou fazer isto se o objeto deus não se revela ou se apresenta às nossas sensibilidades? Na idéia cosmológica Kant critica o fato de deter-se em deus/causa-incausada depois de uma sucessiva série de efeitos e causas, detendo repentinamente a aplicação da categoria causa/efeito sem motivo algum. Quanto ao argumento físico-teológico, Kant critica o princípio da finalidade deste argumento, na questão de querer justificar o maravilhoso que há nas coisas, como por exemplo a possibilidade de vermos, ouvirmos, a maravilha da natureza, etc. como se tivesse uma inteligência criadora organizando estas estruturas. Para Kant, este raciocínio tenta ultrapassar os limites da experiência. Kant afirma que a metafísica quer conhecer o incognoscível. Quer ir além dos limites da experiência, o que não é possivel. Quer ir no âmago das coisas em si, cometendo erros gravíssimos com idéias a respeito da alma, do universo e de deus. Porém, Kant toma uma vereda lateral e busca na razão prática, na moral, uma saída especulativa para resolver este problema da metafísica. Veremos em próximo capítulo.
A outra questão kantiana sobre a metafísica é o problema do universo que vai cair em antinomias.
Primeira antinomia: tese: o universo tem um princípio no tempo e limites no espaço: antítese: o universo é infinito no tempo e no espaço. Segunda antinomia: tese: tudo quanto existe no universo está composto de elementos simples; antítese: aquilo que existe no universo não está composto de elementos simples, mas de elementos infinitamente divisíveis; terceira antinomia: o universo deve ter tido uma causa que não seja por sua vez causada; antítese: o universo não pode ter tido uma causa que não seja por sua vez causada; quarta antinomia: tese: nem no universo nem fora dele pode haver um ser necessário; antítese: no universo ou fora dele há de haver um ser necessário(ser necessário e causa dá no mesmo! as duas últimas antinomias se correlacionam!).Como se vê a razão acerca do universo em si afirma e nega. Onde está a falha, o erro da razão? É porque se está tomando o tempo e o espaço como coisas em si mesmo e não como modos de conhecer. Então procura-se discutir estas questões de início e fim. Tomando-os como coisas em si e não como formas de cognoscibilidade cometemos um grande erro, assim as duas primeiras antinomias são falsas. Nas duas últimas antinomias as teses são verdadeiras porque buscam o mundo fenomênico enquanto as antíteses buscam o noumenon(coisa em si) poderão ser verdadeiras se houver uma outra forma de conhecer em nossa consciência humana. As teses seriam válidas para as ciências físico-matemáticas e as antíteses para as ciências metafísicas, digo, se houver em nossa consciência uma via para o conhecimento que não seja a do conhecimento científico. Será que existe na razão esta possibilidade? Por Kant, creio que não!
À questão da existência de Deus, Kant agrupa tres argumentos: o antológico, o cosmológico e o físico-teológico. Kant busca Descartes e Santo Anselmo:"...eu tenho a idéia de um ser, de um ente perfeito; este ente perfeito tem de existir,porque se não existisse faltar-lhe-ia a perfeição da existência e não seria perfeito..." Kant rebate: para dizer que uma coisa existe preciso de correlacionar sujeito cognoscente com fenômeno cognoscido e como vou fazer isto se o objeto deus não se revela ou se apresenta às nossas sensibilidades? Na idéia cosmológica Kant critica o fato de deter-se em deus/causa-incausada depois de uma sucessiva série de efeitos e causas, detendo repentinamente a aplicação da categoria causa/efeito sem motivo algum. Quanto ao argumento físico-teológico, Kant critica o princípio da finalidade deste argumento, na questão de querer justificar o maravilhoso que há nas coisas, como por exemplo a possibilidade de vermos, ouvirmos, a maravilha da natureza, etc. como se tivesse uma inteligência criadora organizando estas estruturas. Para Kant, este raciocínio tenta ultrapassar os limites da experiência. Kant afirma que a metafísica quer conhecer o incognoscível. Quer ir além dos limites da experiência, o que não é possivel. Quer ir no âmago das coisas em si, cometendo erros gravíssimos com idéias a respeito da alma, do universo e de deus. Porém, Kant toma uma vereda lateral e busca na razão prática, na moral, uma saída especulativa para resolver este problema da metafísica. Veremos em próximo capítulo.
DIALÉTICA TRANSCENDENTAL DE KANT - VI
Se para Kant só há o objeto a ser conhecido nas possibilidades do sujeito e só há sujeito cognoscente representando fenômenos de objetos conhecidos, como fica o conhecimento da alma, do universo e de Deus,na visão Kantiana?
De antemão vemos uma impossibilidade de conhecê-los, pois pelo estudo da estética e da analítica transcendental, só podemos conceber objetos perantes a sujeitos cognoscentes, mesmo assim percebendo-os como fenêmenos e não como são em si mesmos.
Para Kant o conhecimento se dá diante de dois grupos: um grupo formal composto de espaço, tempo e categorias ante os elementos materiais ou de conteúdo, que é o grupo da percepção possivel ou da objetividade sujeitado ao espaço, tempo e categorias.
A metafísica pretende dar um salto sobre esta única forma de conhecimento, acima do espaço, do tempo e das categorias, apreendendo materiais em si mesmos, portanto onde está seu pecado mortal, sua falha? Por onde se iludiu a chegar em coisas em si mesmas, através da razão?
De imediato sabemos que não tem condição de irmos além da percepção sensivel para chegarmos a esta idéia. A alma, o universo e Deus ficam além da percepção sensivel dos moldes do espaço, tempo e categorias. Podemos perceber uma vivência, outra vivência, vivências passadas. Podemos perceber uma mesa, árvores, carros, planetas. Mas como vamos perceber a alma em si, o universo em si e ainda um Deus?
A razão tem poder de síntese sim, de julgamentos, de unificar relações entre objetos. A metafísica está dentro do campo onde a razão infinitamente sintetizando, na totalidade do univel, sendo estas sínteses totais o objeto da metafísica. Todas as modificações que vivemos nos leva a uma síntese suprema de alma. De todas as contraposições do eu pensante relacionado aos fenômenos representados, sintetisa-se a noção de universo. Deus passa a ser a síntese unficadora de tudo isto, da alma e do universo, condição metafísica da razão. A estas unidades supremas de alma, universo e deus, Kant chamou de idéias, sendo uma possibilidade metafísica da razão.
Portanto a razão não age adoidamente, ela dá uma salto acima da tendência infinita das relações de causa/efeito e outras relações provocadas pelas cognoscibilidade e salta sobre a tendência desta série infinita e chega a um ponto de unficidade suprema à idéia de alma, universo e deus. Mas continuaremos este papo um pouco mais em outros capítulos.
De antemão vemos uma impossibilidade de conhecê-los, pois pelo estudo da estética e da analítica transcendental, só podemos conceber objetos perantes a sujeitos cognoscentes, mesmo assim percebendo-os como fenêmenos e não como são em si mesmos.
Para Kant o conhecimento se dá diante de dois grupos: um grupo formal composto de espaço, tempo e categorias ante os elementos materiais ou de conteúdo, que é o grupo da percepção possivel ou da objetividade sujeitado ao espaço, tempo e categorias.
A metafísica pretende dar um salto sobre esta única forma de conhecimento, acima do espaço, do tempo e das categorias, apreendendo materiais em si mesmos, portanto onde está seu pecado mortal, sua falha? Por onde se iludiu a chegar em coisas em si mesmas, através da razão?
De imediato sabemos que não tem condição de irmos além da percepção sensivel para chegarmos a esta idéia. A alma, o universo e Deus ficam além da percepção sensivel dos moldes do espaço, tempo e categorias. Podemos perceber uma vivência, outra vivência, vivências passadas. Podemos perceber uma mesa, árvores, carros, planetas. Mas como vamos perceber a alma em si, o universo em si e ainda um Deus?
A razão tem poder de síntese sim, de julgamentos, de unificar relações entre objetos. A metafísica está dentro do campo onde a razão infinitamente sintetizando, na totalidade do univel, sendo estas sínteses totais o objeto da metafísica. Todas as modificações que vivemos nos leva a uma síntese suprema de alma. De todas as contraposições do eu pensante relacionado aos fenômenos representados, sintetisa-se a noção de universo. Deus passa a ser a síntese unficadora de tudo isto, da alma e do universo, condição metafísica da razão. A estas unidades supremas de alma, universo e deus, Kant chamou de idéias, sendo uma possibilidade metafísica da razão.
Portanto a razão não age adoidamente, ela dá uma salto acima da tendência infinita das relações de causa/efeito e outras relações provocadas pelas cognoscibilidade e salta sobre a tendência desta série infinita e chega a um ponto de unficidade suprema à idéia de alma, universo e deus. Mas continuaremos este papo um pouco mais em outros capítulos.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
KANT V: a partir da lógica formal de Aristóteles, os juízos, as categorias e o sujeito cognoscente, o "eu cognoscente"
Aristóteles dividiu os juízos conforme quatro modos: segundo a quantidade, segundo a qualidade, segundo a relação e segundo a conformidade(quantidade/qualidade/relação/conformidade), sendo que cada um deles se divide em três tipos de juízos.
Pela quantidade os juizos podem ser: individuais, particulares e universais. Se digo que x é y, isto é "Pablo é espanhol", o juízo é individual.
Se digo alguns x são y, o juízo é particular. Se digo que todo x é y, o juízo é universal. Pablo é espanhol(individual); alguns Pablos são espanhóis(particulare); todos os Pablos são espanhóis(universal).
Pela qualidade os juízos são afirmativos, negativos e infinitos. Se digo x é y (caso do Pablo é espanhol), é de qualidade afirmativa. Quando não predica o predicado do sujeito, por ex. "a matemática não é fácil...", o juizo é de qualidade negativa. Quando predica do sujeito a negação do predicado, por ex."os carros não são meios de transporte aquático", estamos afirmando que exitem meios de transporte aquático e deixamos em aberto que existem vários tipos de carros. Este juízo é de qualidade infinita.
Pela relação os juízos podem ser: categóricos, hipotéticos e disjuntivos. Categórico: sem condição nenhuma o predicado é do sujeito "o ar é pesado". Hipotético: afirma o predicado é do sujeito sob condição "se X é Y, então é Z... Se Pablo é espanhol, então é europeu". Disjuntivo: quando alterna um ou outro predicado "X é Y ou Z... Pablo é espanhol, francês ou português".
Pela modalidade os juízos podem ser problemáticos, assertórios e apodíticos. Um juízo é problemático quando predica do sujeito um predicado possivel: X pode ser Y. No juízo assertório o predicado se afirma do sujeito: X é Y. No juízo apodítico o predicado se afirma do sujeito sendo necessariamente predicado do sujeito: X necessariamente tem que ser Y(a soma dos ângulos internos de um triângulo tem que ser dois retos, não podendo ter outro resultado de soma).
Kant foi mais além, raciocinando assim: se a cada juízo corresponde uma forma de ver a realidade, a ele adicionando categorias ficarei mais perto de perceber com mais clareza esta realidade, assim a cada juízo vou extrair de forma mais perfeita uma correspondência na realidadel, aperfeiçoando meu ato de julgar.
Assim, os juizos individuais contém a UNIDADE. Os juízos particulares contém a PLURALIDADE. Os juízos universais contém a TOTALIDADE.
Os juízos afirmativos, negativos e infinitos, contém a ESSÊNCIA, no seu sentido de ESSÊNCIA, NEGAÇÃO e LIMITAÇÃO.
Os juízos categóricos contém a categoria de SUBSTÂNCIA com propriedade desta substância. Os juízos hipotéticos contém a CAUSALIDADE de CAUSA e EFEITO. Os juízos disjuntivos contém a categoria de AÇÃO RECÍPROCA.
Os juízos problemáticos contém a categoria de POSSIBILIDADE. Os juízos assertórios a categoria de EXISTÊNCIA. Os juízos apodíticos a categoria de NECESSIDADE.
QUE SENTIDO TEM TODO ESTE TRABALHO DE KANT COLOCANDO AS CATEGORIAS SOBRE OS JUÍZOS DA LÓGICA FORMAL DE ARISTÓTELES?
Agora vem a parte mais importante da crítica da razão pura, o núcleo gerador do pensamento de Kant e que se chama:
DEDUÇÃO TRANSCENDENTAL DAS CATEGORIAS.
Todos estes textos escritos em poucos artigos são uma síntese de várias obras e anos de trabalho de Kant que foram refeitas várias vezes por ele próprio.
As categorias são as condições possiveis dos juízos sintéticos a priori na Física. As condições do conhecimento são as condições da objetividade. Todo o conhecimento matemático, físico, tudo o que o homem acumulou com o seu esforço de vontade, todo o seu conjunto sistemático de teses,como as coisas se movem, as leis de causa e efeito, o aparecimento e desaparecimento das coisas, a inter-relação entre as coisas, como fiel expressão da realidade das coisas, da qual não podemos duvidar, que possuem necessidade e universalidade, são possiveis pelo homem por quais condições?
Sob as condições que existam objetos e que eles tenham um estado de ser(sejam um ou múltiplos, reúnam-se ou não em totalidades, sejam substâncias com propriedades, tenham causas e efeitos, efeitos com causas, ações e reações,...), ou seja sem estas condições do estado de ser das coisas, não haveria conhecimento.
Mas sendo que as coisas só nos enviam impressões, é óbvio que elas não tem condições de nos enviar julgamentos de unidade, totalidade, pluralidade, ação, reação, causa, efeito, etc. Se ficássemos dependendo das coisas para nos enviar categorias através de impressões, nós não teríamos segurança alguma do conhecimento científico e nem caberia nenhum esforço para produzí-lo. Só se encontra segurança daquele argumento que você alcança por você mesmo, com o seu próprio intelecto.
Então, as possibilidades das categorias que levam ao verdadeiro conhecimento das coisas, somos nós que colocamos nos fenômenos, elas são nossas mesmas, da nossa natureza mais subliminar e íntima, elas são a priori, puras em nós.
Portanto, arregace a manga de sua camisa que você tem condições plenas de descobrir muita coisa com respeito à essência da natureza(em grego physis).
Daí que vem a inversão copernicana de Kant. São as coisas que se ajustm aos nossos conceitos/intuições/categorias e não nossos conceitos que se ajustam às coisas. As categorias são conceitos puros a priori que nós não extraimos das coisas, mas impomos nelas.
O conhecimento aparece quando o homem assume-se como SUJEITO DO CONHECIMENTO. Quando o "eu" quer conhecer, torna-se SUJEITO COGNOSCENTE, imprimindo nas coisas as categorias que são conceitos puros a priori.
Quando o homem começa a perguntar "o que é isto? como funciona isto?", ele deixa de ser um "eu biológico", para ser um "eu superior", um "eu cognoscente". Neste momento o homem ergue-se por cima de todos os animais e todos os outros homens, porque assumiu uma posição de caráter científico. Cresce o "eu" e cresce o objeto, pois um se eleva sobre a humanidade e o outro deixa de ser um esquecimento ou um amontoado de impressões. Quando o "eu" assume as categorias de unidade, pluralidade, totalidade, causa, efeito, substância, e todas estas categorias e entra na relação do conhecimento, o "eu" aproxima-se da unidade do sujeito cognoscente.
Como vimos nestes artigos, a sensibilidade tem duas formas ou estruturas a priori que são o espaço e o tempo. O intelecto tem dozes formas ou estruturas a priori que são as categorias. A unificação da sensibilidade com o intelecto produz o conhecimento puro a priori que temos das coisas.
Em próximos artigos falarei sobre as faculdades da razão e as idéias da razão, porque a razão tem tres formas ou estruturas a priori que são as idéias.
Pela quantidade os juizos podem ser: individuais, particulares e universais. Se digo que x é y, isto é "Pablo é espanhol", o juízo é individual.
Se digo alguns x são y, o juízo é particular. Se digo que todo x é y, o juízo é universal. Pablo é espanhol(individual); alguns Pablos são espanhóis(particulare); todos os Pablos são espanhóis(universal).
Pela qualidade os juízos são afirmativos, negativos e infinitos. Se digo x é y (caso do Pablo é espanhol), é de qualidade afirmativa. Quando não predica o predicado do sujeito, por ex. "a matemática não é fácil...", o juizo é de qualidade negativa. Quando predica do sujeito a negação do predicado, por ex."os carros não são meios de transporte aquático", estamos afirmando que exitem meios de transporte aquático e deixamos em aberto que existem vários tipos de carros. Este juízo é de qualidade infinita.
Pela relação os juízos podem ser: categóricos, hipotéticos e disjuntivos. Categórico: sem condição nenhuma o predicado é do sujeito "o ar é pesado". Hipotético: afirma o predicado é do sujeito sob condição "se X é Y, então é Z... Se Pablo é espanhol, então é europeu". Disjuntivo: quando alterna um ou outro predicado "X é Y ou Z... Pablo é espanhol, francês ou português".
Pela modalidade os juízos podem ser problemáticos, assertórios e apodíticos. Um juízo é problemático quando predica do sujeito um predicado possivel: X pode ser Y. No juízo assertório o predicado se afirma do sujeito: X é Y. No juízo apodítico o predicado se afirma do sujeito sendo necessariamente predicado do sujeito: X necessariamente tem que ser Y(a soma dos ângulos internos de um triângulo tem que ser dois retos, não podendo ter outro resultado de soma).
Kant foi mais além, raciocinando assim: se a cada juízo corresponde uma forma de ver a realidade, a ele adicionando categorias ficarei mais perto de perceber com mais clareza esta realidade, assim a cada juízo vou extrair de forma mais perfeita uma correspondência na realidadel, aperfeiçoando meu ato de julgar.
Assim, os juizos individuais contém a UNIDADE. Os juízos particulares contém a PLURALIDADE. Os juízos universais contém a TOTALIDADE.
Os juízos afirmativos, negativos e infinitos, contém a ESSÊNCIA, no seu sentido de ESSÊNCIA, NEGAÇÃO e LIMITAÇÃO.
Os juízos categóricos contém a categoria de SUBSTÂNCIA com propriedade desta substância. Os juízos hipotéticos contém a CAUSALIDADE de CAUSA e EFEITO. Os juízos disjuntivos contém a categoria de AÇÃO RECÍPROCA.
Os juízos problemáticos contém a categoria de POSSIBILIDADE. Os juízos assertórios a categoria de EXISTÊNCIA. Os juízos apodíticos a categoria de NECESSIDADE.
QUE SENTIDO TEM TODO ESTE TRABALHO DE KANT COLOCANDO AS CATEGORIAS SOBRE OS JUÍZOS DA LÓGICA FORMAL DE ARISTÓTELES?
Agora vem a parte mais importante da crítica da razão pura, o núcleo gerador do pensamento de Kant e que se chama:
DEDUÇÃO TRANSCENDENTAL DAS CATEGORIAS.
Todos estes textos escritos em poucos artigos são uma síntese de várias obras e anos de trabalho de Kant que foram refeitas várias vezes por ele próprio.
As categorias são as condições possiveis dos juízos sintéticos a priori na Física. As condições do conhecimento são as condições da objetividade. Todo o conhecimento matemático, físico, tudo o que o homem acumulou com o seu esforço de vontade, todo o seu conjunto sistemático de teses,como as coisas se movem, as leis de causa e efeito, o aparecimento e desaparecimento das coisas, a inter-relação entre as coisas, como fiel expressão da realidade das coisas, da qual não podemos duvidar, que possuem necessidade e universalidade, são possiveis pelo homem por quais condições?
Sob as condições que existam objetos e que eles tenham um estado de ser(sejam um ou múltiplos, reúnam-se ou não em totalidades, sejam substâncias com propriedades, tenham causas e efeitos, efeitos com causas, ações e reações,...), ou seja sem estas condições do estado de ser das coisas, não haveria conhecimento.
Mas sendo que as coisas só nos enviam impressões, é óbvio que elas não tem condições de nos enviar julgamentos de unidade, totalidade, pluralidade, ação, reação, causa, efeito, etc. Se ficássemos dependendo das coisas para nos enviar categorias através de impressões, nós não teríamos segurança alguma do conhecimento científico e nem caberia nenhum esforço para produzí-lo. Só se encontra segurança daquele argumento que você alcança por você mesmo, com o seu próprio intelecto.
Então, as possibilidades das categorias que levam ao verdadeiro conhecimento das coisas, somos nós que colocamos nos fenômenos, elas são nossas mesmas, da nossa natureza mais subliminar e íntima, elas são a priori, puras em nós.
Portanto, arregace a manga de sua camisa que você tem condições plenas de descobrir muita coisa com respeito à essência da natureza(em grego physis).
Daí que vem a inversão copernicana de Kant. São as coisas que se ajustm aos nossos conceitos/intuições/categorias e não nossos conceitos que se ajustam às coisas. As categorias são conceitos puros a priori que nós não extraimos das coisas, mas impomos nelas.
O conhecimento aparece quando o homem assume-se como SUJEITO DO CONHECIMENTO. Quando o "eu" quer conhecer, torna-se SUJEITO COGNOSCENTE, imprimindo nas coisas as categorias que são conceitos puros a priori.
Quando o homem começa a perguntar "o que é isto? como funciona isto?", ele deixa de ser um "eu biológico", para ser um "eu superior", um "eu cognoscente". Neste momento o homem ergue-se por cima de todos os animais e todos os outros homens, porque assumiu uma posição de caráter científico. Cresce o "eu" e cresce o objeto, pois um se eleva sobre a humanidade e o outro deixa de ser um esquecimento ou um amontoado de impressões. Quando o "eu" assume as categorias de unidade, pluralidade, totalidade, causa, efeito, substância, e todas estas categorias e entra na relação do conhecimento, o "eu" aproxima-se da unidade do sujeito cognoscente.
Como vimos nestes artigos, a sensibilidade tem duas formas ou estruturas a priori que são o espaço e o tempo. O intelecto tem dozes formas ou estruturas a priori que são as categorias. A unificação da sensibilidade com o intelecto produz o conhecimento puro a priori que temos das coisas.
Em próximos artigos falarei sobre as faculdades da razão e as idéias da razão, porque a razão tem tres formas ou estruturas a priori que são as idéias.
KANT IV : ANALÍTICA TRANSCENDENTAL
Após as abordagens kantianas com respeito à Estética Transcendental, vamos agora analisar a Analítica Transcendental. Na primeira analisamos a primazia do espaço e do tempo para o conhecimento, agora analisaremos a primazia do indivíduo através dos juizos sintéticos a priori, para compreender as diferenças dos fenômenos, suas causas, efeitos, transformações, leis, o porquê de nós termos certeza a priori dos objetos reais.
Temos consciência prévia de que há transformações na natureza, de que há trocas, mudanças, gerações, causas, efeitos, leis, propriedades,que não existem por acaso, mas tem leis próprias, propriedades, que podem ser resumidas em fórmulas matemáticas, ações e reações mutuamente produzidas, cujas fórmulas sintetizam realmente como elas são ou como se desenvolve todo o processo de sua existência.
As causas, as essências das coisas que são possivelmente reduzidas nas fórmulas, não nos são enviadas pelas coisas, mas são intrínsecas em nós mesmos. Nisto reside o conhecimento a priori da física.
Então é preciso recorrer a Descartes, o qual Kant conhecia profundamente, para entrarmos em sua obra da dúvida metódica. Descartes começa seu trabalho científico duvidando de tudo. Descartes teve uma educação jesuítica que era a melhor em sua época, mas baseada no conhecimento antigo aristotélico/platônico, ultrapassado pela revolução cultural a partir do século XV. Descartes começa duvidando dos mestres que o ensinaram. Todos nós sabemos que o conhecimento de sua época era baseado no aristotelismo e platonismo. Com a revolução da ciência moderna feita por Galileu, caiu por completo o pensamento antigo. A Física de Aristóteles, por exemplo, tornou-se ingênua. O desenvolvimento das grandes navegações, o surgimento do protestantismo, o antropocentrismo, a revolução astronômica de Copérnico, a física de Galileu, mudaram o mundo por completo e levou os pensadores a serem mais cautelosos, porque a mudança de paradigmas foi total: a terra deixou de ser plana, tornou-se redonda, não era mais fixa, agora movimentava-se em torno de si e do sol, não era o centro do universo, mas apenas um astrinho a mais no meio de milhões, o teocentrismo (Deus no centro) cai em ruínas cedendo lugar ao antropocentrismo (homem no centro), aparecem outras civilizações,enfraquece o poder papal, estuda-se as leis do movimento, da pressão atmosférica, explodem as idéias do renascimento em todas as áreas do conhecimento.
Descartes vive ardorosamente este momento e representa o epicentro da dúvida. Ora, ele havia estudado com os mestres que sustentavam o passado inocente e ingênuo do conhecimento. Vendo a responsabilidade sobre seus ombros, ele inicia o lapidar de um novo pensamento.
Então começa a duvidar de tudo. Duvida que seu corpo é como ele vê. Que as coisas aqui fora são como aparecem. Ele sabe que um pedaço de madeira dentro d'água fica retorcido e fora d'água fica diferente. Percebe que estamos mergulhados em um ambiente múltiplo a partir de nós mesmos que pode modificar a essência das coisas. Intui que o cérebro humano não necessita de ver imagens para produzi-las. Uma prova disto é que quando sonhamos, estamos trancados dentro de um quarto e no entanto caminhamos por praias, lugares, saltamos, conhecemos outras pessoas, etc. Ele mesmo pergunta se nós estamos acordados ou se estamos saindo de outros sonhos! Mas chega um momento em que ele reduz a dúvida de tudo ao máximo: só não pode duvidar de que esteja pensando. Então proclama "Penso, logo existo!", em latim Ergo cogito, Ergo sum, provando a existência do "EU".
Porém, não que ele negue a tudo. Ele diz que você pode pensar tudo, e que daquilo que você pensa, algumas coisas podem existir ou não, mas ninguém pode negar que você esteja pensando e só há validade de realidade, naquilo que seu pensamento credita(dá crédito) existir. Se você pensar num touro com asas voando, seu pensamento vai provar por si mesmo que isto não existe na realidade. Seu pensamento é a máxima autoridade da validez ôntica das coisas. Assim, somos formuladores de juízos. Então tudo o que é possível de validez dentro da realidade, tem que passar pelo crivo de nossos juízos. Kant se baseou demais nisto! Quando digo que "X" é verdadeiro, foi porque correlacionei "X" com outros fatores, sejam eles "Y", "Z" estabelecendo aí raciocínios conectivos que me levaram à consequência do resultado "X". Pois bem, a função racional, intelectual dos juízos me permite desvendar as leis ontológicas dos objetos! Sou "eu" que percebo as leis universais e não são os objetos que me fornecem estas leis.
Para continuar este artigo, escreveremos outro sobre a lógica formal de Aristóteles e o complemento que Kant faz classificando categorias sobre os juízos da lógica formal. Obs.: Nós não podemos jogar Aristóteles todo fora, mas a física aristotélica caiu por terra com a física de Galileu, Newton, Einstein, Física Quântica, Teoria das Cordas, etc. Ainda tem uma turminha que está com os conceitos da física aristotélica, outra com a física das cordas em diante. É desta última vertente que sairá a possibilidade de se descobrir uma nova forma de energia totalmente diferente da originária do petróleo, que é a retirada da força atômica do átomo de hidrogênio. Nesta época, haverá nova mudança de paradigma no Planeta, porque as rédeas do poder sairão das mãos atuais e vão passar para outras mãos e também haverá a possibilidade de se viver um novo tempo.
Temos consciência prévia de que há transformações na natureza, de que há trocas, mudanças, gerações, causas, efeitos, leis, propriedades,que não existem por acaso, mas tem leis próprias, propriedades, que podem ser resumidas em fórmulas matemáticas, ações e reações mutuamente produzidas, cujas fórmulas sintetizam realmente como elas são ou como se desenvolve todo o processo de sua existência.
As causas, as essências das coisas que são possivelmente reduzidas nas fórmulas, não nos são enviadas pelas coisas, mas são intrínsecas em nós mesmos. Nisto reside o conhecimento a priori da física.
Então é preciso recorrer a Descartes, o qual Kant conhecia profundamente, para entrarmos em sua obra da dúvida metódica. Descartes começa seu trabalho científico duvidando de tudo. Descartes teve uma educação jesuítica que era a melhor em sua época, mas baseada no conhecimento antigo aristotélico/platônico, ultrapassado pela revolução cultural a partir do século XV. Descartes começa duvidando dos mestres que o ensinaram. Todos nós sabemos que o conhecimento de sua época era baseado no aristotelismo e platonismo. Com a revolução da ciência moderna feita por Galileu, caiu por completo o pensamento antigo. A Física de Aristóteles, por exemplo, tornou-se ingênua. O desenvolvimento das grandes navegações, o surgimento do protestantismo, o antropocentrismo, a revolução astronômica de Copérnico, a física de Galileu, mudaram o mundo por completo e levou os pensadores a serem mais cautelosos, porque a mudança de paradigmas foi total: a terra deixou de ser plana, tornou-se redonda, não era mais fixa, agora movimentava-se em torno de si e do sol, não era o centro do universo, mas apenas um astrinho a mais no meio de milhões, o teocentrismo (Deus no centro) cai em ruínas cedendo lugar ao antropocentrismo (homem no centro), aparecem outras civilizações,enfraquece o poder papal, estuda-se as leis do movimento, da pressão atmosférica, explodem as idéias do renascimento em todas as áreas do conhecimento.
Descartes vive ardorosamente este momento e representa o epicentro da dúvida. Ora, ele havia estudado com os mestres que sustentavam o passado inocente e ingênuo do conhecimento. Vendo a responsabilidade sobre seus ombros, ele inicia o lapidar de um novo pensamento.
Então começa a duvidar de tudo. Duvida que seu corpo é como ele vê. Que as coisas aqui fora são como aparecem. Ele sabe que um pedaço de madeira dentro d'água fica retorcido e fora d'água fica diferente. Percebe que estamos mergulhados em um ambiente múltiplo a partir de nós mesmos que pode modificar a essência das coisas. Intui que o cérebro humano não necessita de ver imagens para produzi-las. Uma prova disto é que quando sonhamos, estamos trancados dentro de um quarto e no entanto caminhamos por praias, lugares, saltamos, conhecemos outras pessoas, etc. Ele mesmo pergunta se nós estamos acordados ou se estamos saindo de outros sonhos! Mas chega um momento em que ele reduz a dúvida de tudo ao máximo: só não pode duvidar de que esteja pensando. Então proclama "Penso, logo existo!", em latim Ergo cogito, Ergo sum, provando a existência do "EU".
Porém, não que ele negue a tudo. Ele diz que você pode pensar tudo, e que daquilo que você pensa, algumas coisas podem existir ou não, mas ninguém pode negar que você esteja pensando e só há validade de realidade, naquilo que seu pensamento credita(dá crédito) existir. Se você pensar num touro com asas voando, seu pensamento vai provar por si mesmo que isto não existe na realidade. Seu pensamento é a máxima autoridade da validez ôntica das coisas. Assim, somos formuladores de juízos. Então tudo o que é possível de validez dentro da realidade, tem que passar pelo crivo de nossos juízos. Kant se baseou demais nisto! Quando digo que "X" é verdadeiro, foi porque correlacionei "X" com outros fatores, sejam eles "Y", "Z" estabelecendo aí raciocínios conectivos que me levaram à consequência do resultado "X". Pois bem, a função racional, intelectual dos juízos me permite desvendar as leis ontológicas dos objetos! Sou "eu" que percebo as leis universais e não são os objetos que me fornecem estas leis.
Para continuar este artigo, escreveremos outro sobre a lógica formal de Aristóteles e o complemento que Kant faz classificando categorias sobre os juízos da lógica formal. Obs.: Nós não podemos jogar Aristóteles todo fora, mas a física aristotélica caiu por terra com a física de Galileu, Newton, Einstein, Física Quântica, Teoria das Cordas, etc. Ainda tem uma turminha que está com os conceitos da física aristotélica, outra com a física das cordas em diante. É desta última vertente que sairá a possibilidade de se descobrir uma nova forma de energia totalmente diferente da originária do petróleo, que é a retirada da força atômica do átomo de hidrogênio. Nesta época, haverá nova mudança de paradigma no Planeta, porque as rédeas do poder sairão das mãos atuais e vão passar para outras mãos e também haverá a possibilidade de se viver um novo tempo.
domingo, 10 de outubro de 2010
KANT III - CONT. ESTÉTICA TRANSCENDENTAL
A Estética Transcendental(doutrina do conhecimento sensivel e de suas formas a priori) é a maneira como o homem recebe as sensações e como desenvolve o conhecimento sensivel.
Neste artigo pretendo explicar os termos ou a terminologia que Kant usa para não confundirmos com nomes usados eventualmente em português.
a) SENSAÇÃO: quando você passa perto de um ferro elétrico e sente o seu calor, quando vê uma toalha vermelha e percebe esta cor, quando come uma cocada e sente seu sabor, todas estas ações que o objeto provoca sobre você, trazendo-lhe uma modificação ou impressão, representam a SENSAÇÃO.
b) SENSIBILIDADE: é a faculdade que temos de sermos modificados pelos objetos quando recebemos as sensações.
c) INTUIÇÃO: é o conhecimento imediato dos objetos fornecidos pela sensibilidade. O intelecto não intui, ele pensa sempre referindo-se a dados fornecidos pela sensibilidade.
d)FENÔMENO(PHAINÓMENON/GREGO): É o objeto como ele se representa em nós, pois nós não captamos o objeto como ele é em si, mas como ele aparece e se manifesta em nós, porque o conhecimento sensorial (a sensação) é uma transformação que o objeto provoca em nós.
O fenômeno consta de matéria e forma. A matéria é a posteriori, pois só é possivel pela experiência, pois é dada pelas sensações ou modificações provocadas em nós (doce, frio, cor, som, etc.) em consequência da experiência, produzidas em nós pelos objetos.
A forma, não vem dos objetos, mas do sujeito. É como se organiza ou como é o modo de funcionamento da nossa sensibilidade, quando recebe os dados sensoriais provocados pelos objetos. Se ela é um modo de funcionamento e de organização da nossa sensibilidade, ela é a priori em nós.
A forma é intuição pura. O conhecimento sensivel em que estão presentes as sensações ele chama de intuição empírica. Porém, a forma, que ele chama de intuição pura, que é como se organiza o funcionamento de nossa sensibilidade, já existe a priori em nós e são duas: O TEMPO e O ESPAÇO.
A partir de Kant, estes dois princípios do conhecimento, deixam de pertencer à ontologia estrutural dos objetos, para serem a priori no próprio sujeito.
Independentes delas já existirem no universo, elas já existem em nós com todas as suas possibilidades, mistérios e enigmas. O espaço abarca tudo o que é externo e o tempo tudo o que é interno. Porém, veja o primeiro artigo, pelas possibilidades matemáticas, o tempo tem uma primazia sobre o espaço. Por isto, eu, pessoalmente, acredito que a matemática tenha condições de chegar aos portais da construção do universo. Não é à toa que os pitagóricos dela se ocupavam.
Nós somos configurados desta forma e outros seres podem perceber a realidade de outras formas. Espaço e tempo não são inerentes às coisas, mas são as formas como nosso aparelho capta as coisas e vê o mundo lá fora. Este espaço e tempo que estão lá fora podem ser de outra forma, pois nosso aparelho a priori joga estas coordenadas no exterior para interpretar o universo e fazer a diagramação dele.
O que não deixa de ser uma ferramenta misturada ao objeto que traz resultados maravilhosos.
A nossa intuição é chamada de sensivel porque tem esta forma a priori de espaço e tempo para configurar as coisas. Só se ela fosse originária (uma espécie de Deus) no momento em que ela cria as coisas é que poderia conhecê-las como são em si mesmas. Em outras palavras a nossa intuição é sensivel não é originária, não é produtora de conteúdos materiais, é apenas formada dentro das possibilidades de espaço e tempo para compreendê-los conforme nossa configuração e não conforme eles são em suas realidades mesmas(noumenon). Interpretados em nosso aparelho sensivel como fenômenos(phainómenon).
Elas são as maiores possibilidades da geometria e da matemática. Todos os juizos sintéticos a priori da geometria dependem de nossa intuição pura a priori de espaço. Posso construir triângulos, por exemplo, em minha intuição e quaisquer outras figuras geométricas com suas intrínsecas leis.
Já o fundamento da matemática está no tempo, a começar pelas operações de somar, subtrair, multiplicar, dividir que são temporais, sem prescindir do espaço. Lembre-se quando escrevi no primeiro artigo que as coisas existem dentro e fora de mim ao mesmo tempo. Ele tem esta especialidade. Veja o primeiro artigo sobre Kant.
Agora vai um conselho: coloque-se a pensar. Quando você pensa, usa o intelecto que se apodera das funções dos conceitos e alcança a unificação e a ordenação de todos os múltiplos da natureza numa representação comum.
Lembra-se que Einstein dizia que o aparelho que ele usava era sua imaginação? Foi com ela que ele sintetizou, unificou e ordenou numa fórmula a teoria da relatividade: E = MC2 (OBS. O ÚLTIMO C TEM UM 2 APÓS, ISTO É C ELEVADO AO QUADRADO).
Neste artigo pretendo explicar os termos ou a terminologia que Kant usa para não confundirmos com nomes usados eventualmente em português.
a) SENSAÇÃO: quando você passa perto de um ferro elétrico e sente o seu calor, quando vê uma toalha vermelha e percebe esta cor, quando come uma cocada e sente seu sabor, todas estas ações que o objeto provoca sobre você, trazendo-lhe uma modificação ou impressão, representam a SENSAÇÃO.
b) SENSIBILIDADE: é a faculdade que temos de sermos modificados pelos objetos quando recebemos as sensações.
c) INTUIÇÃO: é o conhecimento imediato dos objetos fornecidos pela sensibilidade. O intelecto não intui, ele pensa sempre referindo-se a dados fornecidos pela sensibilidade.
d)FENÔMENO(PHAINÓMENON/GREGO): É o objeto como ele se representa em nós, pois nós não captamos o objeto como ele é em si, mas como ele aparece e se manifesta em nós, porque o conhecimento sensorial (a sensação) é uma transformação que o objeto provoca em nós.
O fenômeno consta de matéria e forma. A matéria é a posteriori, pois só é possivel pela experiência, pois é dada pelas sensações ou modificações provocadas em nós (doce, frio, cor, som, etc.) em consequência da experiência, produzidas em nós pelos objetos.
A forma, não vem dos objetos, mas do sujeito. É como se organiza ou como é o modo de funcionamento da nossa sensibilidade, quando recebe os dados sensoriais provocados pelos objetos. Se ela é um modo de funcionamento e de organização da nossa sensibilidade, ela é a priori em nós.
A forma é intuição pura. O conhecimento sensivel em que estão presentes as sensações ele chama de intuição empírica. Porém, a forma, que ele chama de intuição pura, que é como se organiza o funcionamento de nossa sensibilidade, já existe a priori em nós e são duas: O TEMPO e O ESPAÇO.
A partir de Kant, estes dois princípios do conhecimento, deixam de pertencer à ontologia estrutural dos objetos, para serem a priori no próprio sujeito.
Independentes delas já existirem no universo, elas já existem em nós com todas as suas possibilidades, mistérios e enigmas. O espaço abarca tudo o que é externo e o tempo tudo o que é interno. Porém, veja o primeiro artigo, pelas possibilidades matemáticas, o tempo tem uma primazia sobre o espaço. Por isto, eu, pessoalmente, acredito que a matemática tenha condições de chegar aos portais da construção do universo. Não é à toa que os pitagóricos dela se ocupavam.
Nós somos configurados desta forma e outros seres podem perceber a realidade de outras formas. Espaço e tempo não são inerentes às coisas, mas são as formas como nosso aparelho capta as coisas e vê o mundo lá fora. Este espaço e tempo que estão lá fora podem ser de outra forma, pois nosso aparelho a priori joga estas coordenadas no exterior para interpretar o universo e fazer a diagramação dele.
O que não deixa de ser uma ferramenta misturada ao objeto que traz resultados maravilhosos.
A nossa intuição é chamada de sensivel porque tem esta forma a priori de espaço e tempo para configurar as coisas. Só se ela fosse originária (uma espécie de Deus) no momento em que ela cria as coisas é que poderia conhecê-las como são em si mesmas. Em outras palavras a nossa intuição é sensivel não é originária, não é produtora de conteúdos materiais, é apenas formada dentro das possibilidades de espaço e tempo para compreendê-los conforme nossa configuração e não conforme eles são em suas realidades mesmas(noumenon). Interpretados em nosso aparelho sensivel como fenômenos(phainómenon).
Elas são as maiores possibilidades da geometria e da matemática. Todos os juizos sintéticos a priori da geometria dependem de nossa intuição pura a priori de espaço. Posso construir triângulos, por exemplo, em minha intuição e quaisquer outras figuras geométricas com suas intrínsecas leis.
Já o fundamento da matemática está no tempo, a começar pelas operações de somar, subtrair, multiplicar, dividir que são temporais, sem prescindir do espaço. Lembre-se quando escrevi no primeiro artigo que as coisas existem dentro e fora de mim ao mesmo tempo. Ele tem esta especialidade. Veja o primeiro artigo sobre Kant.
Agora vai um conselho: coloque-se a pensar. Quando você pensa, usa o intelecto que se apodera das funções dos conceitos e alcança a unificação e a ordenação de todos os múltiplos da natureza numa representação comum.
Lembra-se que Einstein dizia que o aparelho que ele usava era sua imaginação? Foi com ela que ele sintetizou, unificou e ordenou numa fórmula a teoria da relatividade: E = MC2 (OBS. O ÚLTIMO C TEM UM 2 APÓS, ISTO É C ELEVADO AO QUADRADO).
Assinar:
Postagens (Atom)